sábado, 22 de abril de 2017

Adeus Vaduca


                                                               
                     


José Carlos Alexandre


Estamos de Luto. Morreu Osvaldo Liberato.

Foi jogador de futebol vitorioso. 

Integrou a equipe do Villa Nova e fez o gol mais marcante de minha vida: o da conquista do Campeonato mineiro de 1951, no Estádio Independência, contra o Clube Atlético Mineiro.

Nova Lima, sua terra natal, parou para recebê-lo.Todo mundo foi para as ruas.

Vaduca, seu nome esportivo, fui criado, assim como os demais irmãos, todos jogadores, no campo do 

Villa Nova, desde pequeno lidando com a bola e com outros craques do time.

Dos irmãos, três chegaram a jogar juntos; Osório, Juca e Doca.

Todos integraram o time principal do Villa.

Juca foi para o Atlético e jogou algumas vezes enfrentando um atacante que lhe dava muito trabalho: o irmão Vaduca.

Não demorou muito para o próprio Vaduca  fazer história também no Galo e, portanto, no futebol brasileiro.

Foi mais tarde para Itabira onde chegou a jogar pelo Valeriodoce, foi treinador e administrador de futebol. 

Também trabalhou por mais de 20 anos no América. Ele passou pelas divisões de base e pela gerência administrativa do CT Lanna Drumond e só deixou o clube em março do ano passado.

Segundo familiares, o ex-atleta estava internado há 18 dias no Hospital Vila da Serra por insuficiência renal e morreu em decorrência de uma infecção.
                                                                                                               
Quando era pequeno, estive várias vezes no Estádio do Villa, onde sua mãe,viúva, dona Maria Joana, criava seus filhos e alimentava treinadores , massagistas e jogadores do "Leão do Bonfim", como o time campeão era chamado.

Seu pai havia sido zelador do campo.
                                                          
                              
Vaduca e os irmãos Osório (depois funcionário da Previdência Social), Juca e Doca tinham o privilégio de deparar com o campo de futebol já quando abriam as janelas de sua casa.

Depois era correr para o gramado.

Todos crescer ouvindo histórias do time centenário  que revelou talentos para o futebol nacional.

Encontrei-me com ele algumas vezes em Itabira, como o fizera inúmeras vezes na infância e, ultimamente, no mesmo médico.

Durante toda a vida a  família de Vadua  viu-se envolvida com o futebol. E futebol campeão, já que ele integrou a equipe do Galo vitoriosa em 44 jogos e foi campeão mineiro em 1956 e 1958, além do histórico campeonato de 1951 onde , mesmo machucando-se, fez o gol que levou Nova Lima à loucura.

Vaduca, grande primo, fico-lhe devendo homenagens e mais homenagens. Ainda que tardias.




quinta-feira, 20 de abril de 2017

Assembleias e mobilizações de base organizam construção da Greve Geral em Belo Horizonte

                                                                                                                             Diário Liberdade

Alexandre Zambelli

A construção da greve geral no dia 28 de abril segue em forte ritmo de mobilização e organização. Em Belo Horizonte, vários sindicatos e movimentos aceleram esta construção através de assembleias e plenárias de base, com fim de organizar e deliberar sobre a paralisação geral.

Tecemos um breve panorama da organização atual:

Servidores públicos municipais de Belo Horizonte – representados pelo Sindibel, aprovaram adesão à greve geral no mesmo momento em que deliberaram sobre a resposta da Prefeitura de Belo Horizonte à pauta de reivindicações da Campanha Salarial 2017;

Professores da rede municipal de BH – Além dos servidores em geral, os professores da rede municipal estão sendo orientados pelo Sindirede a participarem da paralisação;

Professores da rede estadual de Minas Gerais – Os trabalhadores em educação suspenderam temporariamente a greve que construíram recentemente, mas permanecem em estado de greve, mantendo, assim, a organização para o dia 28 de abril;

Bancários de BH e região – em assembleia terça-feira (18), decidiram pela paralisação;

Trabalhadores e trabalhadoras do poder judiciário federal no estado de Minas Gerais – O sindicato da categoria (Sitraemg) chamou assembleia para esta quarta-feira (20), também para decidir sobre a paralisação no dia 28;

Petroleiros – Em assembleia realizada nesta quarta-feira (19), foi decidida a paralisação da categoria junto aos terceirizados.

Metalúrgicos – os sindicatos das bases de BH (Sindimetal) e Congonhas (Metabase Inconfidentes) estão com atividades de construção para o dia 28, em especial com mobilização de suas bases;

Metroviários de Belo Horizonte – O Sindimetro já se movimenta para paralisação, assim como ocorreu no dia 15 de março. É um setor que impacta sensivelmente a capital, por envolver uma estrutura de transporte utilizada pela população de boa parte da Região Metropolitana;

Professores da UFMG – Diante da omissão da APUBH até o momento, os professores decidiram por realizar, nesta semana, uma assembleia auto-convocada;

Estudantes da UFMG – irão realizar uma assembleia, semana que vem, para decidirem sobre a paralisação estudantil.

É importante, neste momento, que cada trabalhador cobre de suas entidades uma mobilização para este importante momento de resistência frente aos ataques que todos estamos sofrendo. 

Sabemos que alguns sindicatos evitam a mobilização por temerem alguma perda de controle da categoria e, por isso, é necessária a pressão para, se preciso, passar por cima das direções burocráticas.

(Com a Esquedaonline/Diário Liberdade)

Inaugurado 17º Salão do Automóvel em Shanghai

                                                              
 A Exibição Internacional 2017 da Indústria Automóvel de Shanghai foi inaugurada dia 19 contando com mais de 1.4 mil veículos expostos no evento, provenientes de mais de mil empresas de automóveis de vários países.

Foram exibidos também 113 modelos de carros que farão sua estreia mundial, 159 carros movidos a novas energias e 56 carros conceituais.

O evento, cujo tema é "Compromisso com uma Vida Melhor", apresenta os conceitos e as tendências mais avançadas da indústria automóvel.

O evento irá estar aberto aos profissionais da área de 21 a 23, e ao público geral de 24 a 28 de abril.

(Com o Diário do Povo)

Repórter socorre criança e vira ícone de tragédia

                                                                                                             Fhox
                                      Abd Alkader Habak corre com a criança no colo


A imagem de um repórter correndo com uma criança no colo tentando levá-la para uma ambulância, após um atentado suicida na Síria que deixou 126 mortos, entre os quais 68 crianças, no último sábado (15), vem percorrendo o mundo como símbolo da tragédia que aconteceu a oeste de Aleppo. Uma outra imagem aparece o mesmo fotógrafo em prantos ao lado de uma criança morta.

Abd Alkader Habak, repórter de origem síria que viajava em um comboio de refugiados, não hesitou em deixar a câmara no fundo para ajudar as crianças feridas que estavam entre os ferros e chamas. O carro-bomba foi introduzido no local da tragédia, sob o pretexto de entregar ajuda humanitária em uma área periférica da cidade.

As fotografias em que Abd Habak apareceu salvando a criança e chorando perto de um cadáver infantil, percorreram o mundo com milhares de compartilhamentos pelo Twitter e Facebook e inspiraram a sociedade pela atitude humana. 

O repórter não pareceu se importar com protocolos ou com regras que determinam a imparcialidade jornalística. Ao ver o ataque, ele simplesmente fez o que deveria ser feito e tentou salvar uma criança em apuros.

Quando Abd Habak se sentou, ele pegou a câmera e percebeu que uma criança precisava de ajuda. “Eu olhei para seu rosto e eu pude ver que ele estava respirando. Eu o peguei do chão e comecei a correr em direção à ambulância. Eu não sei o que aconteceu com a criança, mas eu coloquei em uma ambulância e ela a levou para um dos hospitais que estão dentro da zona de conflito.”

Embora sem muita repercussão, além de Abd habak, outros membros da imprensa mundial também se sensibilizaram no momento e tentaram salvar algumas crianças que estavam em apuros no local.
                                                                                                        Reproduçao
Em sua conta do Facebook, Abd Habak compartilhou um vídeo do canal britânico ‘Channel 4’, que mostra o efeito devastador do carro-bomba. Ele conta em primeira mão o horror que ocorreu.

 “Não tenho palavras para explicar o que aconteceu. Eu estava em pé ao lado de um carro que estava distribuindo alimentos para crianças. Eu estava a apenas alguns metros quando de repente houve uma enorme explosão”, diz ele no vídeo.

(Com a ABI)

Olga Benario Prestes, uma comunista nos arquivos da Gestapo

                                     
                Novo livro da historiadora Anita Leocadia Prestes

Publicação Boitempo Editorial

Da Gestapo à memória do Brasil

Esta breve narrativa biográfica contém não apenas preciosidades históricas e raridades documentais – que, por si sós, já valeriam a leitura –, ela oferece a perfeita dimensão da luta diária de Olga Benario Prestes por seus ideais, mesmo nas condições mais adversas. 

A resistência da jovem revolucionária diante da gigantesca e cruel máquina do Terceiro Reich, que a considerava uma “comunista perigosa”, parece ainda pulsar nestas páginas, como se seu coração, calado há 75 anos, ainda batesse. 

Um coração intrépido, que, encarcerado, soube conjugar a luta política, o amor pelo grande companheiro e a preocupação com a educação da filha, de quem fora afastada prematuramente.

Após a abertura dos arquivos da Gestapo, essa filha, a historiadora Anita Leocadia Prestes, debruçou-se sobre as cerca de 2 mil páginas a respeito de Olga, recheadas de documentos inéditos, para trazer à tona informações até então desconhecidas. 

Mais do que peças faltantes no quebra-cabeça da história, os documentos aqui reproduzidos, especialmente a correspondência inédita entre Olga e Luiz Carlos Prestes, nos permitem enxergar o presente com outros olhos.

Ficha técnica

autor
Anita Leocadia Prestes
título original
Olga Benario Prestes
páginas
144
Peso
350 gr
ano de publicação
2017
isbn
9788575595497

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Greve geral dia 28


A Paixão Segundo Shakespeare


Múmias descobertas em túmulo com 3.500 anos

                                                                   




Um arqueólogo egípcio anuncia a descoberta no túmulo de Userhat, um juíz do Novo Reino na necrópole de Dra Abu-el Naga, perto da cidade do rio Nilo, em Luxor, sul do Cairo, no Egito, a 18 de abril de 2017.Os arqueólogos descobriram várias múmias, caixões de madeira coloridos e mais de 1.000 estátuas funerárias no túmulo com 3.500 anos. (Com o Diário do Povo)

Joám Peres: “Se formos julgados, comportaremo-nos como o que somos: militantes ao serviço da independência nacional”

                                                                                 
As e os militantes de Causa Galiza enfrentam um processo repressivo político. Joám Peres, umha das pessoas processadas, explica na entrevista a seguir. A entrevista é de Ernesto V. Souza:

O dia 22 de março de 2017, apresentou-se publicamente o Manifesto Abrolhar https://manifestoabrolhar., apoiado por vozes diversas da sociedade civil galega. Que se pretende com este Manifesto? Que se pede nele?

A finalidade principal do manifesto é seguir a socializar a denúncia da montagem policial, judicial e mediática de que somos objeto como figemos desde novembro de 2015 e, sobretodo, expandir a convocatória de manifestaçom nacional convocada para o domingo 23 de abril. Isto fijo-se através do contato direto com os principais agentes sociais, sindicais e políticos deste País, mas também por meio da relaçom com centenas de pessoas. 

Quanto ao seu conteúdo, o manifesto reclama a plenitude nunca alcançada das liberdades democrático-formais, o arquivo do sumário em que estamos encausadas e o cessamento deste tipo de operativos repressivos que apontam ao independentismo galego.

- Levades um longo ano de campanha reclamando os vossos direitos, a anulação o Auto e a reparação pública de Causa Galiza, tendes apoio? percebestes alguma reação coletiva ao vosso favor?

Se de algo nos podemos parabenizar em relaçom ao labor de socializaçom e denúncia da montagem que desenvolveu o nosso coletivo neste ano e meio, é de termos desmontado perante amplos setores sociais o discurso do Ministerio de Interior em relaçom ao nosso processo. Que mais de 80 agentes de todo o tipo condenassem publicamente a ilegalizaçom fática de Causa Galiza e o processo de que somos objeto é um dado eloquente ao respeito e demonstra a escassa ou nula credibilidade que tivo a montagem, o crescente rechaço que suscita e a absoluta falta de legitimaçom do regime atual para este tipo de medidas repressivas.

- Informastes da situação no Parlamento galego, europeu, tivestes apoios de corporações municipais, do BNG, CIG, de parlamentares e partidos catalães... de quem mais?

Em geral, o arroupamento de que fumos e somos objeto é importante. Isso visibilizará-se, ainda com mais força neste 23 de abril. Logramos rachar o cinturom sanitário que pretendia tecer a operaçom e colocar amplos setores sociais e políticos na tesitura de que este regime nom é democrático e utiliza os seus aparatos policiais, judiciais e também mediáticos para perseguir e punir a dissidência política. 

Se trazemos em conta as limitaçons de recursos económicos, materiais e humanos com que enfrentamos este processo desde o minuto zero, o resultado poderia-se dizer que foi encomiável. A manifestaçom nacional de 23 de abril demonstrará que, se passar o que se passar finalmente com nós, o independentismo foi quem de lhe respostar e dar a volta à agressom, segue em pé e, aliás, a meio de importantes dificuldades, seguirá a trabalhar pesar a quem pesar.

O manifesto subtitula-se: A SOCIEDADE GALEGA CONTRA A CRIMINALIZAÇOM DAS IDEIAS E A PERSECUÇOM DO INDEPENDENTISMO... Para que ilegalizar Causa Galiza? Para que ilegalizar pessoas? A quem interessam estas montagens?

Compreender o sentido da operaçom policial, judicial e mediática exige colocar-se na posiçom do Estado ou, quando menos, de certos aparatos do Estado que, como a Guardia Civil, atuam por via de facto com grande autonomia e mantenhem a tese de que o independentismo é o que eles chamam “terrorismo”. 

Desde essa posiçom, parece evidente que existindo umha crise irresolúvel do modelo autonómico e um debate aberto no nacionalismo e no independentismo sobre as vias de desenvolvimento futuro para o País, há setores do Estado que pretendem condicionar este debate e as suas previsíveis evoluiçons: bate-se sobre umha organizaçom política minoritária nom pola sua “perigosidade” atual, mas para constranger na residualidade a posiçom que essa organizaçom defende e que, hoje, conta com máximos históricos de apoio social. Temo-lo definido como “segar a erva de raiz”.

O inimigo real nom é Causa Galiza, mas a possibilidade de se assentar neste País um projeto político independentista que ative um estado de opiniom crescente, embora minoritário, de construçom nacional e rutura com Espanha.


Este ritual de violência policial, mediático e judicial faz sentido?

Tudo depende da ótica e dos interesses desde os que se atua. Desde a ótica e desde os interesses dum Estado em crise, com umha realidade social, económica, demográfica, laboral, etc. como a galega, sem vias de soluçom neste quadro autonómico, a satanizaçom do independentismo e o constrangimento dos setores nacionalistas a posiçons de reforma do modelo territorial estatal, é completamente funcional. Utiliza-se o pánico à repressom e a criminalizaçom para modelar condutas políticas e aferrolhar-nos a um pragmatismo suicida. O facto de destacados dirigentes do BNG serem citados publicamente nesta causa é um facto com umhas conotaçons políticas bastante evidentes.

Existe uma campanha mediático-policial para criminalizar o independentismo galego ?

Existe um tratamento mediático, judicial, policial, e também penitenciário, de exceçom que, com maior ou menor intensidade, é permanente e acompanha a militáncia independentista galega como umha sombra. Nom fago “vitimismo” com isto, mas apenas descrevo umha realidade. O Estado está consciente de que o independentismo é, na Galiza, o seu potencial “inimigo interno”, um fator potencial de desestablizaçom, umha posiçom política que deve manter em parámetros residuais ou marginais. E atua em consequência, utilizando a artilharia que precisa em cada contexto e tratando de impossiilitar que um estado de opiniom a cada mais amplo e livre de ambigüidades cristalice em organizaçom e em estratégia.

E das pessoas envolvidas neste processo de criminalização? Tendes sensação de indefensão jurídica? E socialmente, quais são as repercussões?

A nossa sensaçom de “indefensom jurídica”, por dize-lo assim, é absoluta porque sabemos onde pisamos e, aliás, constata-se em factos concretos. Primeiro, porque estamos plenamente conscientes de que estamos processados e processadas num tribunal político de exceçom que se constituiu no mesmo dia que se disolvia o TOP da Ditadura Militar. Um tribunal que se configurou em 1977 antes do processo de debate constitucional espanhol e que se especializa na repressom da dissidência política. 

Segundo, porque o “fundamento provatório” do nosso processo é ridículo -organizar homenagens aos Mártires de Carral de 1846 e atos públicos de memória histórica da luita independentista- e, terceiro, porque por cima de todo isto, que é discutido por quem acreditam no caráter democrático do regime atual, contemplamos in situ, através dos nossos advogados, notáveis irregularidades no processo como é, por exemplo, a vulneraçom da cadeia de custódia dos materiais retirados dos nossos domicílios em 2015, que invalidaria qualquera investigaçom judicial rigorosa, ou a unanimidade mediática que acompanhou a operaçom.


Qual é a situação hoje de Causa Galiza?

Embora nós sigamos processadas por presuntos delitos que poderiam supor penas de prisom de 7 a 17 anos, a organizaçom política que foi o alvo da operaçom da Guardia Civil retornou finalmente à condiçom de organizaçom política legal em 14 de dezembro de 2015 graças a um auto do mesmo juíz que decretou a sua “suspensom de atividades”. Agora, Causa Galiza é legal, está-se a se reativar como organizaçom política numha situaçom de responsáveis processados, um prolongado período de congelaçom e a necessidade de seguir destinando recursos à defesa das e dos seus militantes e a denúncia do processo.


O vindouro 23 de Abril, há convocada uma manifestação... que expectativas tendes? Por que é importante participar destes manifestos e convocatórias?

A manifestaçom nacional de 23 de abril coincide com um momento crítico da montagem: agora é quando, supostamente, rematam as “investigaçons”, e nos encontrariamos, de nom haver prórrogas, com a perspetiva de resoluçom do processo. Esta pode ser, ou o arquivo da causa aberta, ou a dataçom dum juízo político na Audiencia Nacional com todas ou com parte das pessoas processadas, e com umhas imputaçons delitivas que hoje desconhecemos e podem ser as que temos atualmente, ou outras. Todo depende da construçom e a funcionalidade política que se pretenda dar à causa.

A importáncia da mobilizaçom, e do momento em que se produz, parecem óbvias: trata-se de afirmar a pé de rua que, por cima de diferenças ideoĺógicas ou táticas, nos agentes sociais e políticos que dam vida a este País existe a leitura compartilhada de que o Estado espanhol pretende laminar, manu militari, umha perspetiva para a Galiza que é incómoda para os seus interesses e carece de “encaixe institucional”. O mínimo comum denominador de quem nos manifestaremos em 23 de abril é a negativa frontal a assumir como “normalidade” a detençom de militantes políticas e políticos em operaçons de comando, a sua “desapariçom” durante dias, ou o seu processamento em tribunais carentes de garantias jurídicas como é a Audiencia Nacional.

Por último, nós interpretamos, humildemente, que somos dalgum modo como aqueles “comunistas” do poema daquel pastor luterano chamado Martin Niemöller, aos que vinheram deter os nazistas e polas que ninguém protestou. O que hoje sucede com umha pequena organizaçom e com a sua militáncia é um simbólico laboratório de práticas que, amanhá, podem ser de aplicaçom mais ou menos generalizada... Que a gente resposte, que se perda o medo, que nom se dé carta de “normalidade” a este tipo de atuaçons, condicionará provavelmente como sejam as cousas no futuro. A única certeza real que nos mostra o passado deste País som os cenários que resultam de condutas políticas regidas e orientadas polo medo.

O que se passará se, finalmente, esta montagem deriva num juízo?

Se a perspetiva é essa, comportaremo-nos como o que sempre fumos e o que modestamente somos: militantes ao serviço da independência nacional deste País, porque entendemos que a única via real de soluçom às suas problemáticas sociais, laborais, económicas, ambientais, de género, demográficas, etc. é a possessom dum Estado próprio ao serviço da maioria social. Aliás, procuraremos que esse hipotético processo ponha em pé a sociedade galega e sirva para continuar afortalando a posiçom independentista na Galiza, que é para o que estamos nós aqui.

Ernesto V. Souza (A Crunha, 1970) Doutor em Filologia Galega, especialista em História da Literatura; trabalha como bibliotecário na Univ. de Valladolid (Espanha), Académico da AGLP, atualmente é diretor do PGL(Portal Galego a Língua).

(Com o Diário Liberdade)

Donald Trump e Mahmoud Abbas vão se reunir no dia 3 de maio em Washington


                                                                                                                  Efe

Este é o primeiro encontro entre os dois líderes, e Trump já afirmou não ver problemas com solução de um Estado; tema central do encontro será o processo de paz com Israel
   
O porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, anunciou nesta quarta-feira (19/04) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reunirá com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, no dia 3 de maio em Washington.

Segundo o governo norte-americano, o tema central do encontro será o processo de paz com Israel, onde os dois presidentes irão "reafirmar o compromisso de perseguir e finalmente concluir um acordo para o fim do conflito" entre palestinos e israelenses.

Esse será o primeiro encontro entre os dois líderes e ocorre após diversas manifestações de apoio do governo republicano aos planos israelenses - que não incluem a chamada "solução dos dois Estados".

Antes mesmo de assumir a Presidência norte-americana, Trump sempre se mostrou mais favorável aos israelenses, não condenando os assentamentos em terras palestinas e dizendo-se indiferente se a paz chegaria através da solução de um ou dois Estados.
Irã condena 'firmemente' bombardeio dos EaUA contra Síria

Além disso, a decisão do governo norte-americano de transferir a embaixada dos EUA para Jerusalém, em uma área que nem as Nações Unidas reconhecem como pertencente à Israel, gerou mais tensão na região. 

Em fevereiro, o presidente da Palestina reafirmou seu “compromisso contínuo com a solução de dois Estados, a lei internacional e a legitimidade, que teriam que garantir o final da ocupação israelense”. 

Abbas também declarou na época que desejava estabelecer “um Estado palestino independente com Jerusalém Oriental como capital, que viva em paz e segurança junto ao Estado de Israel, segundo as fronteiras de junho de 1967”.

Abbas disse, então, estar pronto para "trabalhar pela paz" com o presidente norte-americano, que pediu que Israel "segure um pouco" a expansão dos assentamentos judaicos no território ocupado, uma política que foi reforçada desde que Trump chegou ao poder. Netanyahu anunciou a construção de 6.000 novos imóveis, e o Parlamento israelense aprovou uma lei que regulariza parte das colônias ilegais.

(Com Ansa e Efe/Opera Mundi)

Assédio e TV: tudo a ver

                                                                      
João Paulo Cunha (*)

Em poucos dias, quatro personagens que gozam dessa geleia indistinta chamada ‘celebridade’ mostraram o que têm de pior. José Mayer foi autor de agressão sexual contra uma funcionária da emissora em que trabalha, a Rede Globo. Sílvio Santos cometeu assédio moral ao vivo e em cores contra uma jornalista do SBT, onde é o “patrão”. O cantor Victor, que apresentava um concurso de calouros para crianças, passou a ser réu no processo por violência física à mulher, grávida de seu filho. Inquérito por agressão à namorada tirou o médico Marcos Harter do BBB 17.

À primeira vista, a dimensão tomada pelos casos mostrou que houve uma reação social forte, principalmente das mulheres, que se uniram para denunciar e cobrar responsabilidades contra a violência, os assédios e a agressão. Além disso, a postura das emissoras, com maior ou menor grau de reconhecimento da gravidade em cada um dos casos, parecia emitir um sinal de autocrítica. 

No entanto, o constrangimento, cabotinamente anunciado até no Jornal Nacional, levou a punições brandas, como afastamento provisório dos envolvidos de suas atividades ou expulsão do participante do reality show, o que não foi mais que a aplicação da regra do jogo.

Na verdade, foi tudo jogo de cena. Não foram casos excepcionais, mas decorrências esperadas de um padrão histórico. A televisão brasileira foi construída a partir do machismo e do preconceito, e de tudo que eles trazem de mais pernicioso para a sociedade. 

Mulher na telinha sempre foi objeto de consumo, teve seu corpo exposto como mercadoria, seu destino vinculado à capacidade de sedução, sua submissão valorizada nas tramas das novelas. Os machos brancos no poder sempre dispuseram de um salvo-conduto para assediar, e a própria figura do galã é uma caricatura dessa relação de poder.

O mesmo se dá com a questão racial, com a exibição naturalizada de uma estética branca, uso sexual das mulheres negras e identificação dos jovens negros como criminosos. Até o ano passado, uma mulher jovem, negra e nua, era símbolo do carnaval, em nítida identificação com o racismo e o turismo sexual que orbita em torno da festa. A mesma lógica sempre levou a TV a fazer caricatura dos homossexuais, jogá-los no gueto e festejar um beijo gay como triunfo da modernidade, depois de décadas de deboche.

A televisão não é o espelho de uma sociedade injusta e preconceituosa. Ela é um ator destacado nesse processo. No jornalismo, tornou-se um partido e submeteu a informação à dinâmica do espetáculo. A saída de jornalistas para a linha de shows se tornou um padrão, como se fosse tudo a mesma coisa à venda. 

Na dramaturgia, exacerbou a discriminação dos personagens que representam minorias e transformou o conflito social em “núcleos” que consagram uma vicária paz social, de olhos vendados para a desigualdade. Na linguagem, criou um padrão único que divide o país, sustenta simbolicamente a exploração e folcloriza a diversidade.

As ocorrências das últimas semanas não podem ser esquecidas ou turvadas pela pós-verdade das explicações autocomplacentes. O assédio sexual foi assumido como erro, quando na verdade é um crime. A violência contra a mulher foi apresentada como um ato de defesa, quando se tratou de uma covardia. 

O constrangimento ao vivo da funcionária, criticada por dar opiniões políticas (ainda que execráveis), foi uma farsa para justificar a isenção que não existe no jornalismo da emissora. A expulsão do médico do BBB um contrassenso, já que puniu exatamente o participante que melhor executou o roteiro do programa: exibir o pior de si para alimentar o pior de cada espectador.
Preconceito, violência, arrogância e discriminação. A gente vê por aqui.

(*) João Paulo Cunha é jornalista e colunista permanente do Brasil de Fato MG.

(Com o Núcleo Piratininga de Comunicação)

terça-feira, 18 de abril de 2017

"Não vou"

                                            

                 Papa Francisco recusa
                 convite para visitar Brasil

O papa Francisco pediu a presidente brasileiro que evite medidas que agravem situação da população carente do país
      
Em uma carta na qual recusa um convite para visitar o Brasil, o papa Francisco cobrou o presidente Michel Temer para evitar medidas que agravem a situação da população carente no país.

A correspondência foi uma resposta a outra enviada pelo mandatário no fim de 2016, na qual o líder da Igreja Católica era convidado formalmente para as celebrações dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora Aparecida, comemorados em 2017.

"Sei bem que a crise que o país enfrenta não é de simples solução, uma vez que tem raízes sócio-político-econômicas, e não corresponde à Igreja nem ao papa dar uma receita concreta para resolver algo tão complexo", escreveu Francisco, segundo trecho publicado pelo jornalista Gerson Camarotti, da Globo News.

"Porém não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira", acrescentou.

Sobre o convite, o papa disse que, devido a sua intensa agenda, não poderia visitar o Brasil neste ano. Ainda de acordo com Camarotti, Jorge Bergoglio afirmou rezar pelo país e que acompanha "com atenção" os acontecimentos na maior nação da América Latina.

Citando sua exortação apostólica "A Alegria do Evangelho", Francisco também lembrou que não se pode "confiar nas forças cegas e na mão invisível do mercado", em um momento em que o governo Temer tenta aprovar reformas econômicas para garantir a confiança dos investidores.

Em setembro passado, na inauguração de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida no Vaticano, o papa já havia dito que o Brasil passava por um "momento triste". Um mês antes, Francisco enviara uma carta não oficial em apoio a Dilma Rousseff, que na época ainda não tinha sofrido o impeachment.

Contudo, Bergoglio sempre evitou se posicionar publicamente sobre a crise política enfrentada pelo país e que culminou na derrubada da presidente petista. 

(Com Opera Mundi)

Greve de fome

Omar Abdallat/Rebelión

Che Guevara, o homem e o mito



                                                                                                                       Alberto Korda

Mireya Castañeda

Ernesto Guevara de la Serna (1928-1967), o mítico Che Guevara, é uma figura histórica tão apaixonante que inúmeros cineastas, bem seja a partir do documentário ou da ficção, tentaram se aproximar de sua intensa vida.

No próximo mês de outubro se estará relembrando o 50º aniversário do seu assassinato na Bolívia que, entre outros aspectos, desencadeou em diversas cinematografias a necessidade de conhecer e compreender sua existência vital.

De uma extensa filmografia que procurou fazer um retrato desse homem/lenda, um dos personagens latino-americanos mais importantes do século passado, faremos referência a dez dessas obras.

NO DOCUMENTÁRIO…

Em outubro de 1967, poucos dias depois de se conhecer o assassinato de Che Guevara, efetuou-se na Praça da Revolução, de Havana, uma impressionante velada solene. Para ela solicitou-se ao cineasta Santiago Álvarez, reconhecido pelo manejo da linguagem audiovisual e diretor do Noticiário do Instituto Cubano da Arte e Indústria Cinematográficas (ICAIC), realizar, em apenas 48 horas, um material para ser exibido durante a reunião do povo.

O documentário Hasta la victoria siempre resultou ser um dos seus melhores trabalhos, ainda que fosse realizado com muito pouco material de arquivo e fotografias à sua disposição, mas suficiente para se converter em uma emotiva homenagem a Che Guevara.

Para sustentar a sua teoria de um cinema urgente, Santiago Álvarez proclamou que com duas fotos, uma moviola e uma música, podia fazer uma fita. E o demonstrou.

Relativamente à música de Hasta la victoria siempre, ele tomou um excerto de Suite de las Américas, de Dámaso Pérez Prado (1917-1989), e a converteu em uma peça emblemática e evocadora da figura do Guerrilheiro Heróico.

Algo similar viria a acontecer com a foto tomada a Che Guevara pelo cubano Alberto Korda, durante o funeral das vítimas do atentado ao navio La Coubre, em 1960, que se tornou um ícone.

No documentário de 15 minutos Una foto recorre el mundo, de 1981, de Pedro Chaskel, um dos principais precursores do chamado Novo Cinema Chileno (1955–1973), faz-se a história da foto mais famosa do século XX, reproduzida milhares de vezes em diferentes formatos e o fez mediante uma entrevista ao próprio Korda.

Outro grande cineasta do cinema latino-americano, o argentino Fernando Birri, lançou mão igualmente da entrevista, para realizar, em 1985, Mi hijo el Che - Un retrato de familia de don Ernesto Guevara.

Birri, em um longo diálogo, e de forma amena, com o pai de Che Guevara, conseguiu traçar um perfil através das recorda-ções do pai e de depoimentos de outros familiares.

Três décadas depois do assassinato na Bolívia, o argentino Juan Carlos Desanzo, preparou um novo documentário, Hasta la victoria siempre/ Che, no qual mostra Ernesto Guevara criança, sua infância em Córdoba, suas viagens pela América Latina, seu encontro com Fidel Castro Ruz e o começo da sua atividade revolucionária em Cuba, que tem seu momento de topo com o triunfo da Revolução Cubana em 1959. Para o roteiro, Desanzo tomou o último dia de vida de Che Guevara e a partir desse momento examinou toda a sua trajetória.

Toda uma curiosidade resulta o documentário Di buen dia a papá, filmado pelo boliviano Fernando Vargas, em 2005. Sua principal atração é o de abordar o ponto de vista dos moradores da região boliviana de Valle Grande, onde Ernesto Che Guevara assumiu o caráter de santo que eles lhe atribuíram. 

A história inclui três gerações de vallegrandinos e seu convívio com toda a construção mitológica, que bate em torno da figura de Che Guevara e de como eles vivem uma vida normal em um cenário de tanto simbolismo para os moradores da América Latina toda.

A atriz cubana Isabel Santos, que a partir do seu primeiro papel como protagonista no cinema, em 1983, na fita Se permuta, de Juan Carlos Tabío, já recebeu mais de dez prêmios nacionais e internacionais, teve a ideia de se colocar atrás das câmeras, precisamente enquanto participava na Bolívia do elenco da fita de Vargas.

Surgiu, então, o projeto de filmar sobre Che Guevara, que deveio o documentário de 2006 San Ernesto nace en la Higuera, que recolhe, também, as impressões e recordações dos moradores do lugar sobre esse acontecimento, em torno do qual nasceram várias lendas, como a do poder místico de Guevara de la Serna.

Santos e o co-diretor e fotógrafo Rafael Solís, ambos roteiristas, filmaram em Cuba e na localidade boliviana de La Higuera, onde foi assassinado o Guerrilheiro Heróico. Ali fizeram dezenas de entrevistas nas quais se resgata o sentimento dos moradores de Valle Grande sobre Che Guevara.

O documentário contém os testemunhos dos populares de Valle Grande, La Higuera e Pucará, do jornalista e senador Antonio Peredo, da lutadora Loyola Guzmán e do atual presidente da Bolívia, Evo Morales.

Mais um documentário, este filmado em 2009, realizado pelo argentino Tristan Bauer é Che Guevara, un hombre nuevo, um extenso e rigoroso percurso pela vida do mítico revolucionário argentino-cubano.

Bauer e Cristina Scaglione, roteiristas, assumiram o papel de pesquisadores e contribuíram com dados novos, que somados aos que fazem parte da biografia básica, com-põem um relatório mais completo sobre Che Guevara.

A fita aproveita ao máximo os recursos do documentário e em seu momento mostrou novidades de arquivo, facilitadas por Aleida March, viúva de Che Guevara, como fotos, imagens de cinema de arquivo, registros sonoros, fotografias, cartas e escritos do punho e letra de Guevara de la Serna. Outra contribuição importante foram os arquivos militares da Bolívia, propiciados pelo presidente Evo Morales.

Em mais de duas horas de relato, Bauer leva o espectador primeiramente pela Argentina e depois pela América Latina, seu decisivo envolvimento na Revolução Cubana, suas viagens diplomáticas, a falhada experiência no Congo e o trágico desenlace na Bolívia.

ATÉ A FICÇÃO…

Existe um critério o bastante unânime, algo estranho entre críticos, que Diarios de motocicleta, a fita de 2004 dirigida pelo brasileiro Walter Salles, é a melhor fita de ficção sobre Che Guevara. Brilhante em todos os ítens técnicos e artísticos, incluído o desempenho dos atores, com Gael García Bernal como Che Guevara e Rodrigo de la Serna como seu companheiro Alberto Granados,

Porém, naquilo que em grande parte explica seu sucesso foi a certeza na escolha de um trecho profundamente significativo na vida do jovem médico Ernesto Guevara de la Serna: aquela viagem em moto pela América do Sul profunda, colorida e dilacerante. Uma história sumamente entretida por seu ritmo de road movie.

A fita, de mais de duas horas, remonta a 1952 quando o estudante de Medicina de 23 anos, conhecido como Fuser por seus amigos, e o bioquímico de 29 anos, Alberto Granados, lançam-se a uma viagem de quatro meses por 8.000 quilômetros pela América do Sul.

A fita apresenta diferenças em duas partes, a primeira mais otimista, com grandes paisagens e momentos de comédia e alegria, enquanto a segunda dá passagem à reflexão, às desigualdades entre os povos e as pessoas, a injustiça, a pobreza e a lepra.

Magníficos os créditos finais, com fotografias reais que os autênticos protagonistas tomaram durante a viagem e é preciso pôr atenção à música do compositor uruguaio Jorge Drexler: Al otro lado del río, com a qual venceu o prêmio Óscar. 

Na cerimônia de entrega, contudo, foi interpretada por Antonio Banderas e Carlos Santana, mas Drexler ao subir ao palco, para recolher a estatueta, em vez de proferir um discurso, cantou a peça à capella, durante 30 segundos.

Quatro anos depois chegou o díptico do norte-americano Steven Soderbergh, Che Guevara El Argentino e Che Guevara Guerrilla, baseado em dois textos escritos de Che Guevara: Pasajes de la Guerra Revolucionaria e o Diario em Bolívia.

A primeira fita narra os sucessos que terminaram na queda do regime ditatorial do general Fulgencio Batista e o início da Revolução Cubana, enquanto a segunda tem como centro suas atividades revolucionárias fora de Cuba, com uma recriação de seu histórico discurso na ONU e sua campanha na floresta boliviana.

Foi estreada como um único filme em 21 de maio de 2008, no Festival de Cinema de Cannes, com umas quatro horas de duração. Por sua interpretação de Che Guevara, Benicio Del Toro venceu a Palma de Oro para o Melhor Ator.

Não se trata de um biopic; de acordo ao uso convencional. Não conta toda a vida de Che Guevara. Narra períodos concretos, entre México 1957 e o triunfo da Revolução na Ilha maior das Antilhas, em janeiro de 1959, com constantes flashbacks e também forwards (como sua viagem, em 1964, para comparecer nas Nações Unidas).

A fita aparece melhor acabada juntamente com a segunda parte, Guerrilla, e ainda que nela Soderbergh dosasse a ação, mostra o dia a dia da guerrilha nas montanhas da Bolívia, constantemente lembrada nas datas do Diário.

De uma maneira curiosa, há pouca épica nesta fita. Inclusive, a cena da morte de Che Guevara, o momento mais esperado do filme, apenas provoca ruído, como se Soderbergh e del Toro quisessem evitar fazer um espetáculo com a execução.

Ernesto Che Guevara é uma figura fascinante. Com sua própria vida fez a melhor das fitas, entre a literatura, a poesia e a ação. Benicio del Toro confessou que «é impossível fazer uma fita sobre Che Guevara mas nós tentamos».

Outros cineastas também aspiraram a levar sua história à tela. Nunca foi plenamente conseguido. Sua figura tão visitada tem espaços e tempos ainda inapreensíveis.

(Com o Granma/Diário Liberdade)

Indígenas, comunidades tradicionais e agricultores terão conhecimentos protegidos

                                                                             Tiago Gomes/Agência Pará
O Conselho de Gestão do Patrimônio Genético criou uma Câmara Setorial das Populações Indígenas, Comunidades Tradicionais e Agricultoras. O grupo vai discutir os temas relacionados à legislação de acesso e repartição de benefícios do patrimônio genético brasileiro.

Também vão atuar na formulação de atos normativos referentes à proteção e salvaguarda dos conhecimentos tradicionais.

Desde 2015, a nova Lei da Biodiversidade prevê que pesquisas com o patrimônio genético brasileiro, assim como o desenvolvimento de produtos como nossa biodiversidade, não necessitam de autorização prévia para o desenvolvimento.

A câmara também terá representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e dos ministérios do Meio Ambiente, Cultura, Desenvolvimento Social e Agrário e Casa Civil. Serão 12 membros no total.

(Com a ABr)

Insegurança jurídica e a estratégia do caos


                                                                               
 Paulo Cannabrava Filho (*)

A estratégia de implantação do caos para a dominação requer a eliminação da concorrência. Quando eles não conseguem implantar o caos por meio de seus agentes qualificados e os servos nacionais, apelam para a guerra, invadem o país como fizeram no Iraque, na Líbia entre outros.

Dias sombrios nos esperam. O que esperar de um judiciário que é o mais caro do mundo? O que esperar de um legislativo que é o mais caro do mundo?

Desde os tempos coloniais, passando pelos tempos em que isto aqui foi reino e império, atravessando a república dos coronéis dos latifúndios até a nova e a novíssima República, advogados e juízes foram formados para defender o status quo e ser parte do poder dominante.

Com relação ao legislativo, casual ou estrategicamente, este é o pior da história da política brasileira, seja com relação ao nível intelectual (lembram da sessão que aprovou o impedimento da presidenta?), mas principalmente com relação às questões morais.

Entrar no judiciário ou na política é projeto de ascensão social, enriquecer a custa do erário. Da classe média às hostes oligarcas dos poderosos.

Deslumbrados com o poder e a exposição midiática perderam o senso, se crêem acima do bem e do mal, deuses salvadores da pátria.

A justiça vale para uns e não vale para outros. A ação ilegal repercute na mídia para uns e é silenciada para os demais. Exemplo: 600 mil presos no Brasil, mais de 50% sem julgamento. Outro exemplo: no lugar de punir pessoas estão punindo empresas, provocando desmontagem de formidáveis parques industriais, jogando fora esforço de desenvolvimento tecnológico, deixando um saldo de desemprego em massa, como está ocorrendo principalmente no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro.

A insegurança jurídica se tornou um fantasma para os empresários, para os investidores. Em que país um processo leva dez anos para proferir uma sentença? E os custos advocatícios que isso implica?

Diz a ONU que com esse congelamento das despesas por 20 anos, decretada por Temer, as futuras gerações é que estão condenadas. É certo. No momento apenas sobrevivemos, mas só no curtíssimo prazo, pois estão desmantelando o país, vendendo tudo na bacia das almas: terras, minérios, petróleo, água (o mais valioso bem), infraestrutura, espaço aéreo, soberania… As futuras gerações comerão capim ou engrossarão as filas de imigrantes ou de refugiados.

Vergonha alheia

Pesquisa Nacional IPSOS de março de 2017 indica que 78% da população desaprova o atual governo e que, para 90% o Brasil está no caminho errado. Lula não é unanimidade com 59% de desaprovação. Contudo, é o que tem o mais alto índice de aprovação entre os políticos. Os que têm as mais altas taxas de aprovação são os juízes de alta exposição na mídia: Moro 63%, Joaquim Barbosa, 51%.

Essa pesquisa é bem anterior ao escândalo da lista do juiz Edson Fachin: 98 pessoas sendo 8 ministros, 24 senadores, 39 deputados, três governadores, inclusive o santo que governa São Paulo, Geraldo Alckmin. Isso só na lista da Odebrecht. E há outras listas, como a lista de Janot e de outros processos, envolvendo as outras empreiteiras como a Camargo Correia, Andrade Gutierres…

Não sobra ninguém. Com exceção de Itamar Franco, todos os que ocuparam a Presidência da República: Sarney, Collor, Fernando Henrique, Lula, Dilma. As vestais de todos os partidos: Aécio Neves, Romero Jucá, José Dirceu, Aloysio Nunes (atual chanceler), José Serra (ex chanceler), Palocci…

Michel Temer, presidente de turno, por estar presidente não pode ser investigado por crimes anteriores ao mandato. É Lei. Não escaparia pois são muitos os seus crimes, assim como os dos presidentes da Câmara e do Senado.

Depois dos vazamentos ilícitos o juiz tornou públicas as delações dos 78 executivos da Odebrecht. As perguntas que não se pode calar: Como é possível que processos que correm em segredo de justiça se tornem públicos? Quem são os responsáveis?

Na realidade o que houve foi que jogaram um balde de merda no ventilador. Com que intenção?

Nessa fase, valendo ainda a presunção de inocência, tudo permanecerá como está. O próprio Temer disse que no governo não haverá mudança até que provem que há culpa e haja condenação. Pior que isso, Temer afirma que a ofensiva pelas reformas (leia-se maldades) prosseguirá.

São reformas todas muito polêmicas, como da previdência e a das normas do trabalho. Que moral tem esse governo para conduzir essas reformas? Num país sério com judiciário a serviço da nação, todos esses atos deste governo espúrio, seriam declarados nulos.
Haverá ainda condições que declarar nulidades dos atos de Temer?

Quanto tempo levará o judiciário para analisar tantos processos? O processo sobre o pedido de anulação da eleição da dupla Dilma e Temer, por exemplo, só agora, passados quatro anos, quando já deposta a presidenta e em véspera de novas eleições é que está chegando à fase de julgamento. Sensação de enorme perda de tempo. Mas não será talvez este, ou seja, as futuras eleições o que move o ventilador?
Senão, qual o propósito de tamanho escândalo aproveitado pela mídia?

Estará o judiciário tramando a tomada do poder? Rompida a linha sucessória –vice-presidente, presidentes da Câmara e do Senado- cabe ao presidente do Supremo assumir o governo. Na história deste nosso país o judiciário sempre esteve, mais que conivente, presente nos golpes de Estado, governando interinamente ou validando juridicamente a ilegalidade.

É preciso recuperar a segurança jurídica

É incrível. Somente agora, menos de um mês da lista de Fachin, quando não dava mais para esconder as barbaridades cometidas pelo Ministério Público e pela Polícia Federal, em função das outras listas, um supremo juiz admite que “não é correto fazer das ações da justiça espetáculo, que o abuso do poder gera insegurança jurídica”. E é de pasmar! o supremo ministro é o presidente do Tribunal em que se move o Fachin, provocando escândalo maior ainda.

Insegurança jurídica, incerteza política, tudo leva a nação a um surto psicótico: depressão, medo, paranóia, raiva contida, ódio ao outro, pânico…
O supremo juiz pôs o dedo na ferida mas, já não consegue estancar a sangria. Tardia manifestação.

Com a conivência da suprema corte é que juízes, delegados e agentes federais têm desrespeitado as Leis, violado os direitos fundamentais garantidos pela nossa legislação e tratados internacionais. Arvorados em salvadores da pátria, os juízes já se crêem acima do bem e do mal.

Nunca deveriam ter permitido que o mal se impusesse, menos ainda que se alastrasse, se incrustasse contaminando toda instituição. Essa insegurança jurídica já é ameaça à estabilidade do Estado à segurança da Nação.

Como recuperar a credibilidade da Justiça, condição que assegura a segurança jurídica?

Creio que a responsabilidade é de toda a sociedade. Deve haver um movimento que envolva a população em torno dessa bandeira. A bandeira do respeito às Leis, da garantia dos direitos humanos. Os que entendem de leis é que devem iniciar esse movimento: mais que os advogados, todas as pessoas envolvidas com a advocacia, dos cursos de direito aos conselhos profissionais. Advogados com apoio da sociedade civil num movimento para devolver dignidade à Justiça.

Nós sabemos que os juízes foram formados para defender as instituições do Estado, a propriedade privada, as leis que asseguram o funcionamento do capitalismo e do Estado democrático pensado pelos que aprovaram a Constituição de 1988 – a Constituição Cidadã. Para que funcionem as instituições e o próprio capitalismo é preciso Segurança Jurídica.

Parece até que resolveram acabar com o capitalismo. Oxalá assim fosse se tivéssemos alternativa de construir outro modelo de Estado, um estado socialista em que não houvesse mais exploração de um ser humano por outro. A realidade, no entanto, é que tampouco admitem outro modelo.

O certo é que enquanto a nação se distrai, mais uma das bacias de Campos e de Santos do Pré-sal foi posta em leilão. É a quarta chamada aos investidores. Na terceira quem levou foi a francesa Total. Quem levará esta?

A que serve a insegurança jurídica?

Serve à estratégia de implantação do caos que vem sendo executada pelo Império, quer dizer, pelos Estados Unidos e o conglomerado dos senhores de todas as guerras e de todas as fortunas. Serve ao pensamento único imposto pela ditadura do capital financeiro. Ou é a ditadura do pensamento único imposta pelos senhores donos do mundo?

A estratégia do caos tem como objetivo a dominação de um país. Passa pela desestabilização política e pela desorganização da produção com a finalidade de impor as leis que melhor lhes convém e se apropriar das riquezas naturais e do mercado.

Ajuda a entender o que está ocorrendo no país, e a quem serve a Insegurança Jurídica e a estratégia de implantação do caos, ler o livro de John Perkins, “Confissões de um Assassino Econômico”, da editora Cultrix. Para ter um ideia disso pode ler a matéria publicada por Diálogos do Sul sobre a atuação do “assassino econômico” no Equador nos dias de hoje, repetição do que acontece na Argentina e no Brasil, aconteceu no México, no Peru e está no auge na Venezuela.

Essa estratégia de implantação do caos para a dominação requer a eliminação da concorrência. Quando eles não conseguem implantar o caos por meio de seus agentes qualificados e os servos nacionais, apelam para a guerra, invadem o país como fizeram no Iraque, na Líbia entre outros.

Tomemos o Iraque como exemplo. Lá o petróleo era estatal e os recursos serviam para o desenvolvimento econômico e social. Como não conseguiram desestabilizar o governo, invadiram, destruíram o país, mataram e/ou anularam as lideranças, implantaram o caos. 

As empresas brasileiras que participavam da construção da infraestrutura tiveram que sair por causa da guerra. Assim também as empresas de alimentos. Destruído o país entraram as empresas estadunidenses para a reconstrução e para o abastecimento. O petróleo agora, de ninguém, é saqueado pelas transnacionais. Assim de simples.

Pior ainda é o que ocorreu na Líbia, nem o Estado sobrou. Ou o que ocorre no Afeganistão. A mesma estratégia de implantação do caos que está sendo aplicada na Síria.

Gente: o que está em jogo aqui no Brasil é a Soberania Nacional.

São Paulo, abril de 2017

(*)Paulo Cannabrava Filho é jornalista e editor chefe da Diálogos do Sul.