sábado, 22 de julho de 2017

"À sombra das chuteiras imortais"


                                                                

Jorge Cortás Sader Filho (*)

Quando uso o título, que era uma coluna de Nelson Rodrigues, quero prestar uma homenagem ao nosso teatrólogo maior, a Newton Santos e a Garrincha.

Quem contou esta história, na coluna que me apoderei do nome, foi Nelson.

O Brasil jogava a Copa de 1958, na Suécia, onde após luta feroz sagrou-se campeão do mundo pela primeira vez.  Invicto!

Eram os áureos tempos de Didi, Newton Santos, Garrincha e um menino que aparecia, chamado Edson e apelidado Pelé.

Deixo o futebol de lado e passo aos fatos.  Garrincha era um cidadão que nunca ninguém conseguiu definir; se um pouco retardado ou incrivelmente ingênuo.

O fato é que viu numa loja em Estocolmo uma raridade com que todos sonhavam: um pequeno rádio de pilha. Desejo de qualquer um no Brasil possuir a cobiçada peça.

Não duvidou.  Comprou o rádio e chegou feliz com ele na concentração.

Ligou o rádio, mas as estações suecas não paravam de falar, e ele ficou muito decepcionado.  Quis trocar o rádio, mas o velho Newton Santos, seu protetor até a morte, prontificou-se.  Comprou o radinho. Fez questão.

Newton pagou a mesma quantia que Garrincha e ficou com o rádio.

Foi o que bastou para o homem das pernas tortas, terror das defesas inimigas, sair contando que "o compadre Newton deve estar doido. Fez questão de comprar um rádio meu que só fala uma língua que ninguém entende."

A Copa foi ganha, o Brasil vibrou e apareceu no futebol o tal garoto genial, o Pelé.  Encantou o mundo, e em pouco tempo o apelido de "Rei" foi dado e dura até hoje, merecidamente.

Chegando ao Brasil, mesmo no avião, Newton Santos ligou o famoso radinho que comprara de Garrincha.  Falava um português perfeito, captando as emissoras locais.

Garrincha não entendeu nada! Rindo, seu velho amigo devolveu o aparelho ao antigo dono.  Não quis de forma nenhuma receber o dinheiro, embora Garrincha insistisse.  

O pobre Mané não sabia que na Suécia o rádio só iria pegar ondas locais mesmo.

Ficou numa alegria de menino, coisa que ele nunca deixou de ser, e contava para todos sobre a bondade do amigo.

São coisas do futebol; coisas da vida.

(*) Jorge Cortás Sader Filho é escritor

(Com o Pravda.Ru)

Hábitos da Alemanha

                                                                  
              
                        A máquina de café


Em seu primeiro dia no escritório, além de ser apresentado aos colegas e conhecer seu local de trabalho, você conhecerá – muito importante – a máquina de café. Se você costuma beber café regularmente, conheça primeiro a cultura do café em seu escritório. É bom se informar sobre algumas regras, como o sistema de pagamento, quem está na vez de fazer o café ou mesmo limpar a máquina.

(Com a Deutsche Welle)

Moscou poderá ter táxi aéreo em massa a partir de 2018

                                                                      
Modelo apresentado em salão deve custar até US$ 120 mil por unidade Foto:Divulgação

Modelos de táxis voadores que poderão entrar em operação já no ano que vem foram apresentados esta semana no Maks 2017, o maior salão de aviação na Rússia. A inovação foi exposta pela startup russa Bartini.

Segundo os desenvolvedores, para avançar no mercado de aviação em massa, o recurso utilizará a plataforma blockchain, um “livro digital” em que as transações feitas em bitcoin ou outra criptomoeda são registradas cronológica e publicamente.

A plataforma está sendo desenvolvida pelo consórcio Blockchain.Aero, e o carro desenvolvido por Bartini será o primeiro a colocá-la em prática.

O preço do carro voador da Bartini, que poderá decolar e pousar verticalmente e tem capacidade de 2 a 4 pessoas, é estimado entre US$ 100 mil e US$ 120 mil. O projeto atende aos requisitos técnicos do Elevate, programa de táxi área do Uber.

Outra empresa, a ATM Freight Drones, prometeu lançar táxis aéreos autônomos em Moscou em 2018, após a aprovação de leis pertinentes.

“Apresentamos uma iniciativa para alterar a legislação atual para que os drones pessoais possam ser usados ​​para o transporte de carga e passageiros”, disse o diretor da empresa, Aleksandr Atamanov, à TASS.

“O posicionamento da Prefeitura de Moscou é positivo, mas cabe às autoridades federais a decisão final. Se conseguirmos fazê-lo, Moscou se tornará uma das capitais mais inovadoras do mundo. Penso que, no melhor dos casos, levará um ano [para alterar lei]”.

                                                               
                                                 Carro voador de Bartini (Divulgação)

Nesse caso, deverá haver “um escalão estreito, de 10 a 15 metros, acima do solo, das vias, dos rios e das estradas ferroviárias por onde o transporte passa”, acrescentou.

Inicialmente, os táxis aéreos estarão disponíveis apenas para viagens curtas. Será possível contratar o serviço por meio de um aplicativo, de acordo com Atamanov. “Não vamos ter que ficar no trânsito e não haverá semáforos. Eles serão uma dúzia de vezes mais rápido do que o transporte terrestre”, disse o empresário.

(Com a Gazeta Russa)

Bartenders robôs agitam as noites de Turim

                                                                                                              ANSA
                                  Robô "Makr Shakr" prepara os drinques e serve os clientes 

Um dos lugares mais badalados de Turim, a Piazza Vittorio Veneto recebeu  sexta-feira (21) um bar robótico capaz de preparar centenas de drinques com combinações diferentes por hora.

O barman biônico foi desenvolvido por jovens engenheiros e já faz um grande sucesso na Itália. Denominado “Makr Shakr”, o projeto estreou na Semana de Design de Milão em 2013.

Os braços robóticos do Makr Shakr servem os clientes, que podem customizar seus drinks, ou até mesmo pedir as bebidas através de um aplicativo no celular. O robô também é capaz de medir a popularidade dos drinks por um painel acima do bar.

Um dispositivo de segurança faz com que o robô seja capaz de recusar pedidos de pessoas que já tenham bebido demais. O sistema do Makr Shakr monitora o consumo de bebida e realiza uma taxa aproximada de álcool em cada ser humano.

(Com a ANSA)

Che, a imortalidade

                                                                 
«…Não porque o queimem, / porque o dissimulem sob terra, / porque o escondam / em cemitérios, florestas, páramos, / vão impedir que o encontremos, / Che Comandante, / amigo. / Está em toda parte, / vivo, como não queriam»                                                          

 Nicolás Guillén

(Com o Granma)

Violência mortal eutra sem impasse sobre a Mesquita em Jerusalém


                                                                        Ammar Awad / Reuters/Reprodução

JERUSALÉM -Seis pessoas foram mortas na sexta-feira em um surto de violência que entrou em erupção sobre a colocação de detetores de metais de Israel nas entradas do sagrado complexo da Mesquita Aqsa em Jerusalém e se espalhou para a Cisjordânia.

Três israelenses foram mortos no que parecia ser um ataque terrorista em um assentamento da Cisjordânia, horas depois que três palestinos foram mortos em confrontos com as forças de segurança israelenses.

De acordo com as autoridades israelenses, um palestino entrou em uma casa no assentamento de Halamish na noite de sexta-feira, esfaqueou fatalmente três civis - dois homens e uma mulher - e feriu outra mulher, antes de ser baleado no local. Os nomes das vítimas israelitas não foram imediatamente divulgados.

Os três manifestantes palestinos foram mortos em choque em confrontos separados em Jerusalém e seus arredores. O Ministério da Saúde palestino identificou-os como Muhammad Mahmoud Sharaf, 17, do bairro principalmente palestino de Ras al-Amud, em Jerusalém Oriental; Muhammad Abu Ghanam, do bairro de At-Tur, no leste de Jerusalém, que está no Monte das Oliveiras; E Muhammad Lafi, 18, de Abu Dis, uma cidade palestina nos arredores da cidade.

A polícia israelense disse que os rebeldes jogaram pedras e barragens e desencadeiam fogos de artifício na direção das forças de segurança, colocando-se em risco.

Soldados israelenses dispararam gás lacrimogênio aos palestinos para dispersá-los depois da pregação de sexta-feira em uma rua que sobe da Cidade Velha de Jerusalém. 

O presidente Mahmoud Abbas, da Autoridade Palestiniana, que havia cortado uma viagem à China para lidar com a crise em espiral sobre os detectores de metais, anunciou na sexta-feira que estava congelando contatos com Israel em todos os níveis até cancelar as novas medidas em torno do local sagrado de Jerusalém .

Não foi imediatamente claro se a suspensão incluía a coordenação de segurança da Autoridade Palestiniana com Israel, um vestígio crucial da relação entre os dois lados. As conversações de paz estão em um impasse há anos.

As vítimas do ataque no assentamento eram membros de uma família que havia se reunido para uma refeição tradicional da noite de sabedoria. Um vizinho, um soldado em licença, ouviu os gritos da família por ajuda e atirou no assaltante através de uma janela, de acordo com relatos da mídia israelense.

As autoridades identificaram o atacante como Omar al-Abed, 19, de uma aldeia próxima no distrito de Ramallah. Ele publicou uma última mensagem no Facebook algumas horas antes do ataque.

"Eu sou um jovem que ainda não atingiu a idade de 20 anos, tenho muitos sonhos e ambições", escreveu ele. "Eu amei a vida - para tirar o sorriso no rosto das pessoas. Mas o que é a vida quando nossas mulheres e jovens são mortos injustamente e nosso Aqsa está enfrentando a profanação. "Ele disse que tinha uma faca afiada, implorava perdão de sua família e assinou com os emojis incluindo corações.

Os militares israelenses distribuíram uma imagem gráfica do local do ataque, mostrando um chão de cozinha inundado de sangue.

Outras imagens que circulavam em sites de notícias palestinas incluíam um vídeo que pretendia mostrar o corpo de um dos manifestantes mortos, envolto em uma folha sangrenta, passando pela parede de um hospital de Jerusalém Oriental para um rápido enterro, aparentemente por medo de que o cadáver fosse Apreendido pela polícia israelense.

Os confrontos surgiram quando milhares de muçulmanos palestinos rezavam na frente das barricadas da polícia nas ruas ao redor da Cidade Velha de Jerusalém, depois de um atraso tenso, de uma semana, sobre os detectores de metais e outras restrições.

Os detectores de metal foram introduzidos após um ataque de bronze na manhã do dia 14 de julho, quando três cidadãos árabes armados de Israel surgiram da Mesquita de Al Aqsa e mataram fatalmente dois policiais drusos israelenses que estavam guardando uma entrada para o complexo. Os assaltantes corriam para dentro do pátio e morreram após uma troca de fogo com outros oficiais, que os perseguiram.

Após o ataque, em um movimento raro, Israel fechou temporariamente o sítio sagrado contestado e volátil - que é reverenciado pelos judeus como o Monte do Templo e pelos muçulmanos como o Nobre Santuário - e esvaziou-o de todos os trabalhadores enquanto a polícia realizava pesquisas.

(Com o The New York Times)

As medidas de Israel em Al-Aqsa "aumentarão a resistência"

                                                                                      Abir Sultan / EPA


Zena al-Tahhan  (*) 

As novas medidas de controle implementadas pelas forças israelenses na Cidade Velha de Jerusalém depois de uma batalha mortal  causam mais ataques e uma escalada de violência, dizem analistas.

A instalação de detectores de metal e torniquetes na entrada do complexo da Mesquita Al-Aqsa , o local do ataque, enfureceu os palestinos, que acreditam que as novas medidas são uma tentativa de Israel de mudar o status quo no site sagrado.

Por uma semana, os palestinos se recusaram a entrar no complexo através dos detectores e recorreram a rezar nas ruas. Durante o fim de semana, as forças israelenses responderam a seus protestos com assaltos e espancamentos. Após as preces de sexta-feira, três palestinos foram mortos e centenas feridos, agravando ainda mais as tensões aumentadas.

O ataque de 14 de julho que matou dois policiais israelenses, realizado por três cidadãos palestinos de Israel que foram mortos a tiros, veio no contexto do que foi denominado "Intifada de Jerusalém (insurreição)", que começou em outubro de 2015. 

Desde a insurreição , cerca de 277 palestinos morreram em supostos ataques, protestos e ataques. Simultaneamente, 42 israelenses foram mortos por palestinos em ataques de facas e carros.

Mas as novas medidas em Al-Aqsa, tomadas por Israel para enfrentar tais ataques - que os palestinos consideram amplamente como resistência armada legítima para a ocupação de 50 anos - devem apenas alimentar o ciclo de violência, de acordo com os que estão no chão .

"Israel está restringindo a liberdade de movimento através de verificações de segurança para todos os palestinos como uma punição para a ação de alguns indivíduos", disse Zakaria Odeh, diretor da Coalizão Cívica dos Direitos Palestinos em Jerusalém, a Al Jazeera.

"Acreditamos que essa ação do governo israelense levará a mais violência e não a estabilidade. Ela aumentará o protesto e a resistência dos palestinos à ocupação israelense".

Zena al-Tahhan  (*)  é jornalista e produtora online de Al Jazeera English.


(Com a Al Jazeera)

Países da Alba rechaçam, em comunicado, ameaça de sanções dos EUA contra Venezuela

                                                       

“O anúncio de impor sanções econômicas contra o povo venezuelano constitui uma clara violação do direito internacional e uma inaceitável aplicação intervencionista das leis estadunidenses", diz texto

      
Em comunicado divulgado na noite de sexta-feira (22/07), os países da Alba (Aliança Bolivariana para os Países da Nossa América) – grupo composto por Venezuela, Antígua e Barbuda, Bolívia, Cuba, Dominica, Equador, Granada, Nicarágua, São Cristóvão e Neves, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas e Suriname –  rechaçou a ameaça feita pelo governo de Donald Trump de impor sanções à Venezuela caso a votação para a Assembleia Constituinte, prevista para o próximo dia 30, ocorra.

“O anúncio de impor sanções econômicas contra o povo venezuelano constitui uma clara violação do direito internacional e uma inaceitável aplicação intervencionista das leis estadunidenses, que em nada contribui à resolução da situação que atravessa o país e que, além disso, impediriam seu desenvolvimento”, afirma a nota.

“Os países da Alba-TCP rechaçam àqueles países que não só ignoram o ordenamento jurídico venezuelano e o governo constitucional e legítimo do presidente Nicolás Maduro Moros, mas que também põem em risco o status da América Latina e do Caribe como zona de paz alcançada no encontro da Celac no ano de 2014”, prossegue.

Na terça-feira (18/05), Caracas anunciou o início de um processo de revisão "profunda" das suas relações com os Estados Unidos, depois de a Casa Branca ameaçar o país com "fortes e rápidas" sanções.

"Aviso, desde já, por instrução do presidente da República, que nós faremos uma revisão profunda com o governo dos EUA, porque nós não aceitamos humilhações de ninguém", disse o ministro de Relações Exteriores, Samuel Moncada, em uma declaração pela televisão.
Wikimedia Commons

"Ao nosso povo, aos nossos chefes militares, nacionalistas, revolucionários, e patriotas, aos nossos embaixadores no mundo todo, a todos os meios de comunicação, aos nossos amigos no mundo, este é um momento de definição", afirmou Moncada.

Dias antes do anúncio dos EUA, Maduro já havia dito que a Venezuela "é um país livre e soberano e não se deixa ameaçar nem intimidar por nenhum império deste mundo".

Relações entre os países

As relações diplomáticas entre a Venezuela e os Estados Unidos se mantêm em ponto morto desde o final de 2008, quando o então presidente Hugo Chávez expulsou o embaixador norte-americano Patrick Duddy.

Ele foi acusado de supostamente estar envolvido em planos para matar o mandatário.
Desde então, e apesar de tentativas de ambos os governos para retomar seus laços diplomáticos, a relação de ambos países se mantém em níveis mínimos.

A oposição venezuelana anunciou nesta segunda que buscará um “governo de transição” e convocou uma greve geral para quinta (20/07) para tentar elevar a pressão contra a Constituinte promovida pelo Executivo.

A Venezuela é palco há mais de três meses de uma onda de protestos, principalmente contra o governo, que deixou, até o momento, mais de 90 mortos. 

(Com Opera Mundi)

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Nas voltas que a vida dá, faz tempo que estamos no mesmo lugar

                                                                     

Marcelo Castañeda (*)

Es­tamos en­trando no se­gundo se­mestre do ano e nada pa­rece ter acon­te­cido, mesmo com con­de­nação de Lula na Lava Jato, quase saída de Temer, quase en­trada de Maia, um ar­re­medo de greve geral e uma Re­forma Tra­ba­lhista apro­vada. A sen­sação é que es­tamos no mesmo lugar, gi­rando em torno do pró­prio rabo, de­pen­dentes da re­pre­sen­tação apo­dre­cida e do mo­delo de de­sen­vol­vi­mento agro é tudo, é pop, é total.

O grito que ecoa é que todos os po­lí­ticos são iguais e o de­sen­canto se faz cada vez mais pre­sente me­di­ante os acon­te­ci­mentos com uma eleição pre­si­den­cial ba­tendo na porta. A con­de­nação de Lula em pri­meira ins­tância veio marcar esse mo­mento ins­tável em que o go­verno gol­pista de Temer perdeu o re­bo­lado e nem por isso a Re­forma Tra­ba­lhista deixou de ser apro­vada no Se­nado, mos­trando que os in­te­resses é que im­portam em de­tri­mento do que a so­ci­e­dade po­deria querer ou mesmo do que os atores prin­ci­pais es­tejam pas­sando.

No fundo, o sis­tema po­lí­tico está to­tal­mente dis­so­ciado da so­ci­e­dade e é isso que mantém seu fun­ci­o­na­mento, seja com Temer clau­di­cante, seja com Maia bal­bu­ci­ante a es­pera de um man­dato-tampão, seja com Lula mar­cado com uma con­de­nação que pode lhe tirar da dis­puta em 2018 – no que seria mais uma par­ti­ci­pação do pas­sado que nos ro­deia, diga-se. 

Por sua vez, as saídas que a so­ci­e­dade apre­senta pa­recem blo­que­adas. Basta ver os ar­re­medos de greve geral que foram de­sar­ti­cu­lados se­quen­ci­al­mente como dias na­ci­o­nais de pa­ra­li­sação, dos quais de dois apenas um ocorreu de fato, no dia 28/04. 

Sem mo­bi­li­zação não há como re­verter as re­formas que o go­verno Temer pro­cura em­placar. Está aí a Re­forma Tra­ba­lhista para ficar de exemplo sendo apro­vada logo de­pois da fra­cas­sada greve geral de 30/06. Não se sabe se terão tempo de aprovar a Re­forma de Pre­vi­dência, mas isso não deve ser des­car­tado.

Neste mo­mento, a sen­sação é de que es­tamos atô­nitos vendo o bonde da his­tória passar sem a nossa par­ti­ci­pação em um jogo que se de­cide nos grandes acordos por cima que devem estar sendo ne­go­ci­ados. É cada vez mais disso que de­pende Temer ficar até o fim de 2018 ou Lula se can­di­datar no ano que vem. 

En­quanto isso, no país em que agro é pop, con­ti­nuam a morrer gente nos rin­cões em con­flitos de terra, onde a luta se faz a quente, e no Rio de Ja­neiro, que até bem pouco tempo era o mo­delo de um Brasil Maior, ser­vi­dores amargam sa­lá­rios atra­sados há três meses e a der­ro­cada pa­rece não ter fim com a ex­plosão da vi­o­lência. 

As saídas talvez não es­tejam mais ao nosso al­cance, e falo da so­ci­e­dade. Talvez es­te­jamos de­pen­dentes de mais um acordo por cima a de­finir nossos des­tinos en­quanto so­ci­e­dade-gado, que pasta nas voltas que a vida dá sem sair do mesmo lugar. Neste sen­tido, es­tamos re­fle­tindo o agro em nossas vidas-pasto. 

Penso que é mais que hora de romper com isso e buscar a tal da sus­ten­ta­bi­li­dade, o que só será pos­sível com a par­ti­ci­pação da so­ci­e­dade nas de­ci­sões, rom­pendo o cír­culo vi­cioso dos acordos por cima. Resta saber de onde par­tirá a rup­tura. Minha aposta é sempre no ter­reno da so­ci­e­dade, já que o sis­tema po­lí­tico dá mos­tras de fe­cha­mento cada vez maior. Ve­remos o que o resto do ano nos re­serva.


(*) Mar­celo Castañeda é so­ció­logo e pes­qui­sador da UERJ.


https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=5538067426554059193#editor/target=post;postID=4486036869300402015

(Com o Correio da Cidadania)


Fórum Internacional do Ensino de Português reúne especialistas em Beijing

                                    

Beijing recebeu  dias 8 e 9 de julho, o 4º Fórum Internacional do Ensino de Língua Portuguesa na China. O evento foi organizado em parceria pela Universidade de Comunicação da China e pelo Instituto Politécnico de Macau.

A quarta edição do Fórum, sob o tema "Da Ásia para o Mundo: Ensinar Português em Tempo de Globalização", contou com a presença de mais de 70 professores e acadêmicos provenientes da China, Brasil e Portugal.

Com a duração de dois dias, os professores e acadêmicos abordaram temas como formas para melhorar a qualidade de ensino, combinação de ensino e teste, a melhora da capacidade de comunicação intercultural dos alunos, bem como a promoção do desenvolvimento da língua portuguesa na China.

O reitor da Universidade de Comunicação da China, Hu Zhengrong, que proferiu o discurso de abertura, espera que o fórum possa estabelecer uma plataforma de intercâmbios e compartilhamento de resultados acadêmicos entre professores e alunos.

Assim, será possível oferecer um espaço aberto e de discussão para chineses e estrangeiros que participam e apoiam o desenvolvimento do ensino de português na China.

Ao longo da última década, com a estreita cooperação entre a China e os países de língua portuguesa nos setores político, econômico e cultural, vem crescendo a demanda por talentos que dominam a língua portuguesa. 

Em consequência disso, o ensino do idioma na China entrou em um período de desenvolvimento acelerado. A realização periódica de conferencias sobre o ensino de português contribui para promover a cooperação e intercâmbios no setor pedagógico e melhorar a qualidade da formação de talentos.

Os três primeiros fóruns foram realizados, respectivamente, na Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing, no Instituto Politécnico de Macau e na Universidade de Estudos Internacionais de Shanghai.

(Com a Rádio Internacional da China)

Panda gigante Nini dá à luz gêmeos

                                                                        
A panda gigante Nini deu à luz gêmeos na manhã de quinta-feira, elevando para oito o total de filhotes que nasceram neste ano no Centro de Criação de Panda Gigante de Chengdu .

A gravidez de Nini foi confirmada no fim de junho.

Um filhote do sexo masculino nasceu às 5h48 com 203 gramas, e a irmã dele, às 6h33 com 91 gramas.
As crias e a mãe passam bem.

Nini há tinha tido gêmeos em agosto de 2015.

Ela e o irmão Yingying foram batizados em referência ao slogan olímpico "Beijing huan ying ni" ("bem-vindo a Beijing") porque nasceram em agosto de 2008, durante as Olimpíadas.

A família de Nini é uma "família olímpica". O avô Cobi nasceu no mesmo dia da abertura de Barcelona 1992 e foi batizado com o nome do mascote, um cão pastor catalão, por Juan Antonio Samaranch, então presidente do Comitê Olímpico Internacional.

Pandas são uma espécie ameaçada devido à taxa de natalidade extremamente baixa no estado selvagem. Nos últimos anos, nasceram muitos gêmeos em cativeiro, devido à mudança nos métodos de criação artificial.

"Antes éramos totalmente dependentes de os pandas estarem no cio para cruzar, mas durante a última década começamos a observar as alterações hormonais deles para aproveitar as melhores oportunidades de acasalamento", disse Wu Kongjun, que trabalha no centro de criação em Chengdu.

(Coma Xinhua/Diário do Povo)

Agressão contra Venezuela utiliza estratégias usadas no Chile, Líbia e Ucrânia


                                                                             streetwrk.com (CC BY-ND 2.0)

A escalada de agressões diplomáticas, econômicas e midiáticas contra a Revolução Bolivariana são as mesmas promovidas contra a Líbia, Ucrânia e nos anos 70 contra o Chile.

A guerra narrativa impulsionada pelas transnacionais midiáticas, nos exemplos citados e agora contra o país caribenho, é construída sobre a tese de um Estado falido e pária como desculpa para legitimar uma intervenção armada e mudança de governo.

Financiadas e planejadas no exterior, as ações de desestabilização em cada país foram colocadas em prática por partidos políticos, setores acadêmicos e eclesiásticos pró-imperialistas, opositores aos governos locais.

A exigência de Richard Nixon a seu secretário de Estado, Henry Kissinger, de "fazer a economia chilena gritar", para submeter o governo socialista de Salvador Allende, parece se manter atualmente.

O presidente Donald Trump ameaçou nesta segunda-feira aplicar "medidas econômicas fortes e rápidas" contra a Venezuela se a Assembleia Nacional Constituinte é realizada em menos de duas semanas.

Segundo a versão da mídia sobre a "Revolução Laranja" na Ucrânia, foi a pressão dos "jovens universitários e estudantes secundaristas" que derrubaram o presidente Vikctor Yanukovich por sua oposição ao Acordo de Associação e Livre Comércio com a União Europeia. Os governos mais influentes acusaram Kiev de atentar contra os manifestantes.

Matérias da época diziam que "nas manifestações se observava o uso cada vez mais generalizado de meios de proteção improvisados e profissionais como capacetes, coletes e inclusive escudos". Nas últimas semanas todos os protestos terminavam em distúrbios.

Na Venezuela, o chamado "exército templário" está formado no imaginário construído nas redes sociais, principalmente, por jovens que lutam contra a "ditadura" que os oprime. Os assédios às instalações militares e os crimes de ódio são desculpados e naturalizados como "defesa própria".

Os símbolos e a aplicação do manual do golpe suave de Gene Sharp, na Ucrânia e Venezuela, são escandalosamente similares.

O ponto decisivo do conflito na Líbia, que terminou no assassinato de Muammar Al Gadafi, foi a criação do Conselho Nacional de Transição (CNT) formado por políticos opositores servis a Washington e ex- funcionários de alto nível do governo derrubado. 

Antes disso, a crise foi intensificada por uma revolta violenta de vários dias em Bengasi, uma zona de opositores, e a denúncia de que as forças armadas atacaram os manifestantes pacíficos.

A coligação antichavista reunida na "Mesa da Unidade Democrática (MUD)" anunciou a formação de um governo paralelo após organizar uma consulta interna tipo plebiscito, no qual simbolicamente "o povo" desconhece o governo democrático de Nicolás Maduro e suas instituições.

Freddy Guevara, vice-presidente da Assembleia Nacional (AN) e coordenador do partido Vontade Popular assegurou nesta terça-feira através de seu twitter que não são o Estado paralelo", mas "somos o Estado Constitucional".

O próprio presidente da AN, Julio Borges, já havia anunciado o chamado a "juramentar" os novos integrantes do Tribunal Supremo de Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral.

A oposição venezuelana ainda não decidiu que nome vai dar ao "novo governo" paralelo que tentam instalar. Até o momento seus porta-vozes se referem ao governo de unidade nacional ou governo de transição.

O presidente Nicolás Maduro semanas atrás advertiu que "o imperialismo havia proposto gerar uma comoção e em meio a isso, derrubar o governo legítimo para impor uma junta de transição".

(Com a AVN/Diário Liberdade)

Hábitos na Alemanha

                                                        


Pontualidade é essencial

Embora algumas pessoas tenham horário flexível de expediente, a maioria tem hora certa para começar a trabalhar. 

Na Alemanha, é correto chegar ao local de trabalho cinco minutos antes da hora marcada. 

Dez minutos antes é muito cedo, a não ser que você tenha as chaves do escritório.

(Com a DW)

Geração Y elege Zap e Google como melhores fontes


                                                                  
Entre a chamada Geração Y (ou Millennials, pessoas que nasceram entre o começo dos anos 80 e o final dos 90), que representa cerca de 20% da população mundial (segundo o IBGE, no Brasil, são 55 milhões entre os 18 e os 34 anos), o WhatsApp lidera quando o assunto é “veículo de comunicação mais usado”. Já o Google foi o mais citado como fonte de informação e veículo de conhecimento/aprendizado.

Foi o que constatou levantamento realizado em abril encomendado à MindMiners pelo PayPal Brasil.

Ainda segundo a pesquisa, cerca de um terço dos entrevistados pela MindMiners passa mais de 3 horas por dia no Facebook, mas menos de 3% avaliam que a rede social é um veículo de comunicação confiável. E 95% garantem que verificam a veracidade das notícias antes de compartilhá-las em seus perfis. 

Também de acordo com o estudo, o veículo mais usado pelos Millennials como fonte de informação é o Google (66,3%), seguido por Facebook (55%) e pela TV (51,3%). Do outro lado da balança, jornais impressos foram citados por somente 9,7% e revistas impressas, por 7,7%.

O veículo mais usado como fonte de conhecimento/aprendizado é o Google (para fazer pesquisas), com 75,7%, seguido por YouTube (71,3%), TV (31,3%) e Facebook (26%). Do outro lado da balança, revistas impressas e rádios foram citadas por 8,7% (cada). Os jornais impressos ficaram em último lugar, com 7,3%.

Dentre as páginas do Facebook mais acessadas porque confiáveis, os líderes (em ordem decrescente) são G1/Globo, UOL, Folha de S. Paulo, Veja e Exame. Já dentre os jornais diários mais lidos, Folha, Estadão e O Globo lideram. E dentre as revistas mais lidas estão Veja, Exame, Superinteressante e Época nesta ordem.

O estudo mostra que 88,4% dos entrevistados que disseram acessar a edição online de jornais não têm assinatura do veículo. Ou seja, usam acessos de amigos e/ou familiares. Quando a fonte de informação são revistas online, essa porcentagem cai para 82%.

De maneira geral, 38% dos Millennials garantem que, ao clicar no link de uma matéria, fazem questão de ler o texto inteiro; e 5,7% confessam que só leem o título e o primeiro parágrafo. Outros 56% dizem que o nível de leitura depende da matéria.

Os temas campeões de leitura são variedades/entretenimento (52,7%); saúde (47,3%); mundo (46,3%); e ciência (37,1%). Os temas que geram menor índice de leitura completa são fashion (15,2%); sustentabilidade (16,6%); e turismo (18,4%).

Já os temas campeões de leitura do título e do primeiro parágrafo são: política (39,5%); economia (38,4%); saúde (29,7%); variedades/entretenimento (29,2%); e ciência (28,6%).

Solteiros acima de 35 anos não gostam de discutir política em redes sociais

Enquanto nos EUA, segundo uma pesquisa recente do Pew Research Center, 32% das pessoas costumam compartilhar conteúdo político nas redes sociais, por aqui, os solteiros acima de 35 anos vão contra esta tendência. 

Levantamento com 2.629 solteiros feito pelo site de relacionamento ParPerfeito revela que este grupo mais velho e, que busca um relacionamento sério, deixa a Internet de lado para abordar o tema com os pretendentes: 35% do grupo, que conta com homens e mulheres de todo o Brasil, afirmam que preferem falar sobre política em bares e restaurantes, ao lado dos amigos, outros 35% preferem guardar a opinião para si.

Entre as redes sociais, a mais utilizada para discutir política é o Facebook (18%), seguida pelo Whatsapp (11%) e Twitter (1%). E se você tem medo de ser deletado por alguém no Facebook por expressar suas ideias políticas pode ficar tranquilo, pois 81% dos entrevistados disseram que nunca excluíram ninguém do seu perfil por divergências políticas.

(Com a Associação Brasileira de Imprensa)

Nova diretoria na SBPC

                                                                        
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) empossou na noite de ontem (20) a nova diretoria da entidade durante assembleia geral dos sócios. O físico Ildeu de Castro Moreira assumiu o cargo de presidente. Ele substitui a bióloga Helena Nader, que estava à frente da entidade desde 2011.

A assembleia foi realizada durante a 69ª Reunão Anual da SBPC, que ocorreu ao longo dessa semana no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Trata-se do maior evento científico do Hemisfério Sul, com uma programação extensa de conferências, mesas-redondas e apresentação de trabalhos científicos, entre outras atividades.

Professor e pesquisador Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ildeu era vice-presidente da última gestão da SBPC e foi o único candidato à presidência. Ele recebeu 980 votos dos associados da entidade em eleição ocorrida no mês passado. Houve, ainda, 73 em branco e 48 nulos. Sua gestão vai, inicialmente, até 2019, quando haverá novas eleições e ele poderá se recandidatar.

Em seu pronunciamento, Ildeu listou alguns desafios da nova gestão. Ele manifestou preocupação com os cortes e contingenciamentos de recursos que atingem o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

"Esse momento que estamos vivendo é muito grave, uma crise econômica e política com consequências sociais muito séria. E, diante desse quadro, vamos dar continuidade às ações que a SBPC já vem desenvolvendo, junto à sociedade e junto ao Congresso, para que a gente reverta ou, pelo menos, consiga amenizar os graves retrocessos que vêm ocorrendo. Também precisamos prestar nosso apoio às universidades públicas, que estão vivendo um momento muito difícil."

O físico terá como vice-presidentes Carlos Roberto Jamil Cury, professor emérito da Faculdade de Educação da UFMG; e Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Também tomaram posse os conselheiros eleitos e os escolhidos para as secretarias, a tesouraria e demais cargos da diretoria.

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Por sua vez, a ex-presidenta Helena Nader recebeu o título de presidente de honra. A honraria é concedida pela SBPC a pessoas de notável saber que hajam prestado relevantes serviços à ciência brasileira.

Criada em 1948, a SBPC dedica-se à defesa do avanço científico e tecnológico e do desenvolvimento educacional e cultural do Brasil. Atualmente, a entidade tem 127 sociedades científicas associadas, de todas as áreas do conhecimento.

Ao final da assembleia, foi colocada em votação dez moções. Entre as aprovadas, a entidade se posicionou contra a redução dos recursos orçamentários do MCTIC e a favor do movimento pela convocação imediata de eleições diretas no Brasil.

Os associados da SBPC também repudiaram a transformação da Universidade Latino-Americana (Unila) em Universidade Federal do Oeste do Paraná (UFOR). Outra moção aprovada foi em defesa da contabilização do tempo dedicado a pós-graduação para fins de aposentadoria.

Movimento pela ciência

Durante a assembleia, Helena Nader pediu a palavra para desmentir rumores de que pretenda se candidatar a deputada federal nas próximas eleições. Nas últimas semanas, portais de notícias publicaram que lideranças científicas estavam avaliando a possibilidade de criar um partido político dedicado exclusivamente às causas da educação, ciência, tecnologia e inovação. Segundo estes veículos, a ideia seria lançar a candidatura de Helena Nader e a legenda atuaria, exclusivamente, no âmbito legislativo, sem concorrer a cargos no executivo.

A ex-presidenta da SBPC, porém, rechaçou veementemente essa possibilidade. "Primeiro, é bom esclarecer que o estatuto da entidade define que ela é uma associação civil sem fins lucrativos, laica e sem caráter político-partidário. A SBPC não é um partido e nem criará nenhum partido. Quem diz que precisamos de um partido da ciência, na minha visão, está fazendo uma ruptura com a ciência. O que nós precisamos é ter um movimento amplo pela ciência", disse.

Ela lamentou que a notícia tenha virado manchete nacional e ganhado repercussão nas mídias sociais, o que em sua opinião fragiliza o trabalho da SBPC de construção do diálogo com o parlamento. "A Helena não é candidata a nada. Não quero. Se quisesse, já teria feito. Ao longo desse anos, eu fui chamada por vários governos para assumir cargos em Brasília. Eu recusei todos os cargos. Não porque eles não eram nobres. Mas porque eu avaliei que isso desvirtuaria o que era a minha missão", concluiu.

(Com a ABr)

Votação histórica na ONU pela proibição das armas nucleares

                                                                        

 Direcção Nacional do CPPC    

A conferência da Organização das Nações Unidas para a negociação de um tratado de proibição das armas nucleares aprovou o respectivo tratado com um único voto contra. Os países membros da NATO estiveram quase na totalidade ausentes incluindo o governo português, que prefere alinhar com essa aliança agressiva em vez de dar cumprimento à Constituição da República.

A conferência da Organização das Nações Unidas para a negociação de um tratado de proibição das armas nucleares terminou no passado dia 7 de Julho, em Nova Iorque, com a votação final do respectivo tratado por cerca de dois terços dos membros da Organização, e aprovação do mesmo com 122 votos a favor, o voto contra da Holanda (único membro da NATO presente) e a abstenção de Singapura.

A partir de agora e até à realização da Assembleia Geral da ONU, em finais de Setembro próximo, o Tratado de Proibição das Armas Nucleares ficará disponível para subscrição pelos Estados-membros das Nações Unidas.

Nos termos do Tratado os estados signatários acordam em não desenvolver, testar, produzir ou possuir armas nucleares, ameaçar utilizá-las ou permitir o seu estacionamento nos respectivos territórios.

Não participaram neste processo Estados detentores de armas nucleares – Estados Unidos da América, China, França, Reino Unido e Federação Russa, assim como Israel, a Índia e o Paquistão ou ainda a RPD da Coreia –, bem como Estados que se assumem aliados de alguns dos Estados detentores de armas nucleares e que aceitam o estacionamento das armas nucleares destes no seu território.

Paradoxalmente, entre os países que se excluíram desta iniciativa encontra-se o Japão, vítima de ataque atómico dos EUA em 1945, e Portugal, cuja Constituição da República preconiza, entre outros importantes princípios que devem reger as suas relações externas, o desarmamento geral, simultâneo e controlado e um sistema de segurança colectiva que assegure a paz e a justiça nas relações entre os povos.

A oposição de vários países e os previsíveis obstáculos na implementação deste tratado não diminuem a sua importância, na medida em que este introduz e formaliza o conceito de “mundo livre de armas nucleares” no âmbito da posição oficial das Nações Unidas e ilegaliza o uso dessas armas em conflitos entre os Estados signatários, tornando ainda mais indefensável e ilegítima a doutrina de “ataque nuclear preventivo” dos EUA, que desenvolve uma monumental corrida aos armamentos, incluindo a instalação do sistema antimíssil em torno da Rússia e da China, no quadro desta doutrina ofensiva – ou seja, admitir realizar um ataque nuclear, pensando conseguir evitar a retaliação por parte do país visado.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação considera o Tratado de Proibição das Armas Nucleares um instrumento importante na luta pela paz e congratula-se com a sua aprovação.

(Com odiario.info)