quarta-feira, 24 de maio de 2017

“Ainda é cedo para julgar se escândalo político prejudicará economia brasileira”, dizem especialistas

                                 

A instabilidade política no Brasil tem gerado preocupações sobre a economia do país, que começa a revelar sinais positivos, contudo, economistas acreditam que ainda é cedo para perder a confiança na recuperação.
No domingo, ocorreram manifestações em todo o Brasil, com novos apelos à demissão do presidente Michel Temer.

Temer enfrenta acusações de corrupção depois de ter sido revelada uma gravação na qual concorda em comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados. O presidente negou a acusação, mas o Tribunal Supremo Federal (TSF) do país iniciou a investigação.

Caso Temer deixe o cargo que atualmente ocupa, o congresso terá de organizar uma eleição indireta para garantir que o país tem um presidente até às eleições de 2018.

O ex-presidente brasileiro Lula, que planeja participar nas próximas eleições diretas e o seu Partido dos Trabalhadores, o mesmo partido ao qual a presidenta Dilma pertence, pediram que fosse realizada uma eleição direta imediata. 

“Por um lado, esses escândalos causam muitas incertezas a curto prazo, mas também têm influência positiva. As instituições do Brasil mostraram uma forte determinação em lidar com a corrupção e qualquer situação que enfrentam. 

Isto demonstra o poder de manutenção da estabilidade, que é importante para o crescimento rápido e robusto da economia brasileira a longo prazo,” disse Vladimir Teles, vice-diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP).

Yin Yue, da China Global Television Network (CGTN), disse que, segundo a última previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia brasileira iria começar o processo de recuperação em 2017. É esperado que o crescimento do Brasil atinja os 0,2% neste ano, com um crescimento ainda maior previsto para 2018.

O FMI acredita que o governo de Temer fez os esforços necessários para garantir o desenvolvimento econômico, mas ainda é muito cedo para julgar se o escândalo prejudicará a economia brasileira. 

(Com o Diário do Povo)

Venezuela: o processo da Assembleia Constituinte

                                                                         
 Gilberto López y Rivas (*)   

Está convocada para este ano uma Assembleia Nacional Constituinte na Venezuela. É uma opção para recompor a situação do país e reverter o golpe-de-estado que o imperialismo e o grande capital venezuelano têm em marcha. Esta Constituinte será eleita por voto universal, directo e secreto, e deseja-se que abra o caminho da paz em que o soberano seja o povo da Venezuela. Que constitua a grande convocatória para um diálogo nacional com o objectivo de conter a escalada da violência política. O poder aposta na intervenção do povo. Sem ele o processo bolivariano não tem defesa.

No passado dia 12 de Maio, com a presença do presidente Nicolás Maduro e a participação de 74 convidados de 36 países, na sua maioria procedentes da América Latina, teve lugar em Caracas, República Bolivariana da Venezuela, uma importante reunião onde se deram informações sobre o processo da Assembleia Nacional Constituinte, no contexto da guerra de amplo espectro contra o governo e o povo dessa nação irmã.

A reunião foi coordenada pela chancelaria e a Comissão Presidencial para a Convocatória da Assembleia Nacional Constituinte, criada pelo Decreto do presidente Maduro, no primeiro de Maio deste ano, no uso das faculdades que lhe são conferidas pela Constituição vigente, com o propósito de preservar a paz, a independência, a integridade e a soberania da República, e para que seja o povo venezuelano com o seu poder originário quem, com a sua voz suprema, dirima o destino que, como Pátria soberana e independente, marque o rumo da nossa história no caminho herdado pelos nossos Libertadores.

As temáticas expostas são cruciais para entender a complexa realidade venezuelana, tão distorcida pelos grandes meios de comunicação mundial, e por articulistas que se baseiam em fontes secundárias não corroboradas com o obrigatório trabalho de campo. 

Entre os problemas analisados, a doutora Pasqualina Curcio, professora da Universidade Simón Bolívar, descreveu a guerra económica contra a Venezuela e apontou as cinco armas da estratégia do imperialismo, das corporações capitalistas e dos grupos oligárquicos locais: a inflação induzida, o boicote ao fornecimento de bens de primeira necessidade, o embargo comercial encoberto e o bloqueio financeiro internacional.

Apesar desta guerra económica o produto interno bruto (PIB) e a produção cresceram visivelmente nos últimos anos de governos chavistas, enquanto em Dezembro do ano passado a taxa de desemprego era de 6%, o consumo de alimentos está em alta e as taxas de desnutrição e pobreza decrescem sustentadamente desde 1999. Considera que a manipulação real e mediática da economia tem o propósito de incidir na desestabilização social e nas preferências políticas. 

Reiterou-se que enquanto a produção se mantém, a distribuição é alterada com objectivos políticos. Assim, o problema mais que económico é político. São os grandes capitais que, ao verem-se ameaçados, recorrem a mecanismos de ataque ao modelo socialista.

Samuel Moncada, vice-ministro da chancelaria para a América, defende que o ataque do império contra a Venezuela segue os padrões postos em prática noutras regiões do mundo para produzir golpes-de-estado e mudanças de regime. No caso da Venezuela, um grupo de países, entre eles o México e o Canadá, prestaram-se com subserviência à conspiração na reunião da OEA do passado 3 de Abril, para efectuar uma sessão ilegal e uma ruptura do ordenamento normativo, ao dar um golpe institucional para aplicar a carta democrática contra a Venezuela.

O plano do governo dos Estados Unidos contra a Venezuela consistiu em usar a OEA como arma de agressão, transformando-a de facto no comando que ordena aos terroristas venezuelanos, aos opositores apátridas, que peçam a intervenção dos Estados Unidos contra o seu próprio país. O governo estado-unidense está a coordenar todas as acções e quer incrementar ainda mais violência, a estratégia golpista em que o povo venezuelano fornece as vítimas. Por isso é do interesse nacional fazer fracassar esta estratégia fascista, e daí a iniciativa política da Assembleia Nacional Constituinte.

A participação do presidente Nicolás Maduro no encerramento do encontro centra-se nas razões da Assembleia Nacional Constituinte. O processo da sua realização em 2017 terá um peso histórico, será consolidação de uma revolução assediada, agredida. É o caminho, a opção para recompor a situação do país e reverter o golpe-de-estado. Esta Constituinte será eleita por voto universal, directo e secreto, e será uma Constituinte cidadã, popular, cultural, económica, sectorial e territorial. 

Além dos eleitos por circunscrição territorial serão convocados oito sectores: classe operária, camponeses, membros de comunas, estudantes, pensionistas, empresários patriotas, povos indígenas e pessoas com deficiência. A Constituinte é o caminho da paz em que o soberano é o povo da Venezuela. A iniciativa fortalecerá a Constituição de Hugo Chávez. É a grande convocatória para um diálogo nacional com o objectivo de conter a escalada da violência política.

Procura-se a constitucionalização das novas formas da democracia participativa e protagonista, a partir dos novos sujeitos do Poder Popular, tais como as comunas e os conselhos comunais, os conselhos de trabalhadores, entre outras formas de organização de base territorial e social da população. Procura-se a defesa da soberania e da integridade da nação contra o intervencionismo estrangeiro, a reivindicação do carácter pluricultural da Pátria, a consagração dos direitos da juventude e a protecção da biodiversidade. Será uma revolução dentro da revolução

(*) Antropólogo, articulista do diário mexicano La Jornada

Este texto foi publicado em:
http://www.jornada.unam.mx/2017/05/19/politica/023a1pol?partner=rss

Tradução de José Paulo Gascão

Charge do Carvall: Este é um governo pequeno

(Com Opera Mundi)

VALE-TUDO


                                             
Para advogados, Ministério Público paga
qualquer preço por delações premiadas


Brenno Grillo

O dia 17 de maio parece distante, mas nesta quarta-feira (24/5) ele terá acontecido há uma semana. Portanto, há sete dias o Brasil discute os termos e o conteúdo da delação premiada dos donos e executivos do Grupo J&F, dono do frigorífico JBS. Como parte do acordo, foi apresentada a gravação de uma conversa com o presidente Michel Temer em que Joesley Batista, dono da empresa, relata o cometimento de diversos crimes.

Na quarta-feira passada, o Brasil foi virado do avesso. O dólar valorizou 8,06% frente ao real. No dia seguinte, a bolsa de valores de São Paulo teve de suspender suas atividades por alguns minutos devido a desvalorização superior a 10%. De lá para cá, foram protocolados oito pedidos de impeachment de Michel Temer e há pelo menos um, do Conselho Federal da OAB, que está para ser enviado à Câmara dos Deputados.


Para advogados consultados pela ConJur, esse acordo com os irmãos Batista só demonstra uma coisa: A PGR está disposta a tudo para fazer delações premiadas e obter o máximo de informações que puder.

Temer é acusado de incentivar o pagamento de R$ 500 mil ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para que ele não fizesse acordo de delação. Na conversa gravada, Joesley conta para Temer como tem feito para "dar conta" dos processos que correm contra ele na Justiça Federal.

Ele também relata ao presidente como fez para "segurar" dois juízes substitutos, diz ainda que há um procurador que "passa informação" e que negocia com outro "lá da força-tarefa". Todas essas informações foram consideradas essenciais pela Procuradoria-Geral da República, que, em troca, permitiu que os delatores não pudessem ser presos, tivessem a punibilidade extinta e não pediu qualquer tipo de monitoramento eletrônico.

O ex-presidente da Associação dos Advogados de São Paulo, Leonardo Sica, afirma que o MPF tem feito isso em troca de seu protagonismo. Ele acha preocupante "quando o Ministério Público negocia delações com base na própria conveniência, e não na da lei".

Essa mesma opinião é partilhada pelo criminalista Fernando Hideo Lacerda. “Aparentemente o Ministério Público está aceitando delação a qualquer custo, e desde o começo da operação, atendendo a interesses discricionários de um ou poucas pessoas”, opina o advogado.

O advogado César Augusto Vilela Rezende diz que o “Ministério Público tem agido à margem da lei há muito tempo” e que essa situação envolvendo a JBS apenas “mostra que o MPF se considera acima da lei”.

“Gostaria muito que a legislação modernizada que o Brasil pretende atingir responsabilize pessoalmente o autor de atos ilegais com o abuso de autoridade”, diz Rezende, destacando ainda que é justamente nesses casos que é necessária uma lei que responsabilize servidores por excessos.

“Em uma democracia com regras de accountability, Rodrigo Janot poderia ser responsabilizado, mas na nossa não”, complementa Leonardo Sica.

Ilegais desde o princípio

Para Hideo Lacerda, o acordo entre os irmãos Batista, os executivos da JBS e as autoridades foi "precipitado e muito generoso”. “É complicadíssimo favorecer tanto alguém em uma delação porque você não sabe aonde isso vai dar, muito menos precisar as consequências”, ressalta.

Segundo o criminalista, a maioria das delações que deram origem à operação “lava jato” são ilegais. “É difícil encontrar alguma delação que tenha sido de acordo com Lei 12.850”, diz, citando o exemplo da primeira de todas: a que envolveu o doleiro Alberto Yousseff.

Nesse acordo foi instituída um comissão para analisar o caso e as condições. Para o advogado, a ilegalidade já parte daí, pois não há previsão legal para esse tipo de “curadoria delacional”.

“Todas as outras, que estabeleceram regimes de pena diferenciados, que não existem na legislação, são benefícios extralegais, que não estão na legislação, ou seja, ilegais”, afirma.

Voltando à delação dos irmãos Batista, Hideo Lacerda destaca que o responsável pela delação foi um advogado que deixou a PGR pouco tempo antes de assumir essa empreitada. “É uma crise ética sem precedentes.”

Necessidade de regulamentação

O criminalista Fernando Augusto Fernandes sugere a criação de um "devido processo delacional". A ideia é estabelecer regras claras que evitem a concessão de benefícios em excesso. “Não é possível o Ministério Público negociar delações, e depois negociar delator com delatado. Ao fim, se cria uma distorção completa na proporcionalidade da pena. É preciso terminar com essa liberdade absoluta de negociação.”

O advogado e ex-procurador de Justiça Roberto Tardelli explica que a delação deve ser vista sempre com muita cautela, pois a essência do instituto é ruim. “Ela permite que você se aproxime demais do canalha”, diz.

Ele afirma que a banalização da delação premiada, por seu uso indiscriminado, chegou a tal ponto que se tornou “um jogo de esperteza”, onde o premiado é o “canalha”. “Joaquim Silvério dos Reis é um herói. Ele fez delação premiada”, brinca.

Segundo o ex-procurador, essa inversão de valores faz com que se perca a noção de justiça, tornando-a banal. “Meu medo é que as pessoas que colhem essas delações percam o rumo do que estão fazendo. É muito fácil perder o rumo. A ditadura mostra isso.”

“Todas essas questões estabelecidas pela lei, em um futuro próximo, serão rebatidas com argumentos como ‘não são questões estruturais’, ‘não são nulidades absolutas, são nulidades relativas, porque o que importa é o teor da veracidade’. São as mesmas barbaridades que ouvíamos quando se trata de prova de indício de tortura”, alerta Tardelli.

Delação soviética

Roberto Tardelli compara o método dos procuradores da República com as delações ao que foi feito durante o período mais duro de ditadura da União Soviética. “Aqueles que usam a operação mãos limpas como exemplo de delação são uns idiotas, porque isso já tinha sido feito no período de Stalin. Ele angariou poder com base na delação premiada. Só que ele fez com que todo russo tivesse medo do cidadão ao lado. O seu amigo de hoje é o delator de amanhã”, analisa.

Tardelli reforça ainda que o resultado desse período policialesco na União Soviética foi uma uma sociedade alcoólatra e depressiva. “Atualmente, não temos mais um processo penal, mas sim um processo acusatório.”

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, hoje advogado, acredita na importância da delação como mecanismo de investigação. Critica o uso feito dela pelos órgãos de investigação e acusação.

“As pessoas julgam pelas delações, reputações são destruídas por delações. Vamos investigar tudo o que está lá, e, ao final, se avalia. Já vimos que alguns delatores falaram a verdade, outros omitiram e uns mentiram”, pondera Cardozo.

(Com a ConJur)

Enciclopédia da Revoluçom Francesa, século XVIII: “Os galegos som amantes do seu país, bons soldados e excelentes marinheiros”


                                                         

Eduardo Rolland

Assi retratava a Galiza a monumental Enciclopedia Metódica de 1782, a da Revoluçom Francesa, continuadora de Diderot e D´Alembert

A Enciclopedia (L’Encyclopédie) é um marco na história da Humanidade. Este colossal monumento editorial foi publicado entre 1751 e 1772 sob a direçom de Diderot e d´Alembert. E nela colaboraram os grandes pensadores do seu tempo: Montesquieu, Rousseau, Voltaire... 

Concebida como um “Dicionário razoado das ciências, das artes e dos oficios”, nom era umha ideia original: 23 anos antes aparecera em Inglaterra a “Cyclopaedia”. Mas nom se pode comparar pola ambiçom e o empenho de umha obra formidável: a francesa tivo 17 volumes de texto, outros 11 volumes de láminas e quatro suplementos. Ao todo 72.999 artigos, que chegárom a abranger uns 20 milhons de palavras com 2.885 ilustraçons.

Um dos seus últimos editores foi Charles-Joseph Panckoucke, que lhe acrescentou quatro novos tomos. Para, posteriormente, criar outra enciclopédia monumental própria: a Enciclopédia Metódica, que compilava o saber da Humanidade agrupado por temas. Começou a publicar-se em 1782 e acabou, já sob a direçom da sua filha, em 1832 com um total de 166 volumes.

Como a de Diderot e d´Alembert, a Enciclopedia Metódica, com as suas ideias científicas, liberais e laicas, supujo umha comoçom que a enfrentou ao poder da sua época. E tivo também que se editar às vezes na clandestinidade. Ainda assim, chegou ao Estado espanhol, onde estivo em princípio proibida pola Inquisiçom.

Os tomos de geografia mundial suponhem umha obra titánica. E neles encontramos referências a Galiza. Com alguns tipismos surpreendentes para o leitor de hoje: ?Os galegos som em geral de mediana estatura, robustos, esforçados, trabalhadores, sofridos, sobrios e económicos, fiéis aos seus soberanos; amantes do seu país e tenaces em conservar os seus costumes; som bons soldados e excelentes marinheiros, e têm muita disposiçom para o estudo, pois som reflexivos e sabem reter o que umha vez aprendem?.

Também admira a descriçom das galegas: “As suas mulheres som agraciadas, festivas, hospitaleiras, com queda pola dança e polas cançons próprias do País e, particularmente na costa das províncias meridionais, conservam formosa cor e pele muito fina”.

Os enciclopedistas franceses definem o clima da Galiza: “frio e chuvoso na parte do Norte, mais morno no centro, e quente (às vezes com excesso) nos vales que caem para o Meio-dia, encontrando-se geralmente a sua costa exposta ao desconforto dos impetuosos ventos que acarretam densos e nocivos nevoeiros”.

Há mais de dous séculos, o país tem vales viçosos, que produzem “trigo e cevada, favas, gravanços, ervilhas, milho, patacas, vinho, linho e algum azeite nas ribeiras dos rios Sil, Quiroga e Minho, e nalguns vales das províncias de Ourense e Tui, sem que falte também algumha seda, que poderia aumentar consideravelmente nos vales de Monforte e Maceda de Trives”. A mençom ao azeite desmente a crença de que nom existiam já oliveiras na Galiza a partir dos Reis Católicos.

“A colheita de castanha é abundantíssima, e particularmente nos fundos vales por onde correm os rios. Há frutas de todas as espécies, e de delicioso gosto, sem que faltem as mais delicadas, como som laranjas doces e ágrias, limons e cidras, que noutro tempo faziam parte de um ramo de comércio que agora passou para o vizinho Reino de Portugal. Os legumes som dos mais finos e os nabos de extraordinário tamanho”, apontam os autores da primeira Enciclopédia, prévia à Revoluçom Francesa.

Como é lógico, os montes galegos estám livres de pinheiros e eucaliptos: “Há carvalhos, castanheiros, nogueiras, cerdeiras, vidoeiros, medronheiros, azevinhos... e algumhas azinheiras, lentiscos e faias. Nas ribeiras dos rios: chopos, salgueiros, amieiros e abeleiras”. Abunda também o tojo, “sem que falte variedade de ervas medicinais, de que estám cobertos os seus montes e desfiladeiros”.

Por estas paisagens de umha Galiza virgem, passeia o urso e deixa a sua pegada o lobo, além do “lobo cerval”, que nom é outra espécie que o lince euroasiático. Nos rios nom há barragens e abundan “geralmente de truitas, anguias e peixes, e nas suas bocas e rias de salmóns, réus, muges e lampreias”.

O mar já é umha fonte de alimentaçom de primeira ordem. “Nos mares que rodeiam a costa da Galiza pescam-se igualmente quase todas as espécies conhecidas de peixes, e amphibios, mas com abundáncia de congros, badejos, pescadas, raias e polvos, que se vendem dentro e fora do País, salgados e curados, mas sobre todos é tam abundante e delicada a sardinha desta costa que, conduzida aos países mais distantes, forma um dos principais ramos do comércio dos seus habitantes”.

Também nom era raro, há dous séculos, deparar-se com os grandes mamíferos marinhos: “ainda que nom tantas como noutro tempo, ainda se deixam ver de vez em quando algumhas baleias, e outros cetáceos, e muitos grupos de toninhas e golfinhos”.

A Galiza conta com sete províncias e 101 vilas. A cidade maior é no fim do século XVIII a de Ferrol, seguida de Santiago de Compostela.

“O alimento ordinário do Povo Galego é no interior do país o pam de centeio, as castanhas, nabos e as carnes salgadas e chacinas. Na costa, o pam de milho só ou misturado com centeio, as favas, a sardinha e os mariscos, e todo o género de legumes. A bebida ordinária é a água, se bem que nas suas festas e romagens nom escasseia o vinho e os licores”.

Os herdeiros de Diderot e D´Alembert tenhem boas palavras para a nobreza: “A nobreza galega (que na sua maior parte vive nas suas casas de campo) é hospitaleira com os forasteiros e ama a sociedade e a diversom. Tem bastante cultura e aptidom para o estudo, e ainda para as ciências exatas, como certificam vários oficiais empregados no exército e a marinha”.

E realizam ainda alguns apontamentos sobre a história galega, destacando (de um modo algo pitoresco) que foi o primeiro reino em se constituir: “Os suevos formárom na Galiza “o primeiro Reino da Monarquia Espanhola” e estendendo as suas conquistas polo Oriente até as margens do Ebro, e dilatando o seu domínio polo Ocidente até as ribeiras do Bétis, e receberam finalmente a religiom católica pola predicaçom de Sam Martinho de Dume.

Em definitivo, assim faziam o retrato da Galiza os autores da Enciclopédia. Em toda a Europa, os seus leitores podiam assim informar-se sobre o Finis Terrae europeia. E o retrato daquela obra monumental permite-nos viajar até a Galiza de há mais de dous séculos.

(Com o Diário Liberdade)

XXIII Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba


Heinz fará recall de 22 mil embalagens de molho de tomate

                                                                   
A empresa de alimentos Heinz Brasil S.A fará um recall de mais de 22 mil unidades de seu produto “Molho de Tomate com Pedaços Tradicional” devido à existência de fragmentos de pelo de roedor acima do limite máximo de tolerância. A campanha de recall foi protocolada na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A presença de pelo de roedores acima do limite máximo de tolerância oferece risco à saúde humana e foi comprovada pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina.

De acordo com a Heinz, o recall abrange unidades produzidas em 25 de janeiro de 2016, com vencimento em 25 de julho de 2017. Os produtos foram colocados no mercado com numeração de lote L25 20:54 M3-.

O Código de Defesa do Consumidor determina que o fornecedor repare ou troque o produto defeituoso a qualquer momento e de forma gratuita. Se houver dificuldade na troca, a recomendação é procurar um dos órgãos de proteção e defesa do consumidor.

Mais informações sobre o recall podem ser obtidas junto à Heinz, por meio do telefone 0800 773 7737 ou pelo site www.heinzbrasil.com.br. 

 (Com a ABr)

ABI condena PGR por quebra de sigilo de fonte


                                                                   
Segundo a Associação Brasileira de Imprensa, ao anexar gravação da Polícia Federal aos autos do inquérito que investiga o senador Aécio Neves, a PGR jamais poderia incluir a transcrição de uma conversa do jornalista Reinaldo Azevedo (imagem) com sua fonte, o que representou quebra de sigilo, um dos direitos assegurados pela Constituição.

Ao expor publicamente uma conversa do jornalista Reinaldo Azevedo com a irmã do Senador Aécio Neves, a ABI considera que a PGR violou o sigilo da fonte, assegurado pelo Artigo 5o. da Constituição Federal, além de cometer grave ofensa a Liberdade de Imprensa, um dos mandamentos do Regime Democrático.

A PGR reagiu às críticas. Em nota, afirmou que “não divulgou, não transcreveu, não utilizou como pedido, nem juntou o referido diálogo aos autos”.

A PGR disse ainda que as referidas conversas, gravadas pela Polícia Federal (PF), “ainda não deram entrada na PGR, tendo entrada prevista para o dia 24 de maio” (esta quarta-feira).

(Com a ABI)


Palestina Livre

Vasco Gargalo/Rebelión

SOMOS TODXS OLGA - Trupe de Teatro Popular Direção e interpretação: Alessandra Cavagna Junho: Sextas e sábados, às 21h00 Domingos, às 20h00 Teatro de Arena Eugênio Kusnet Rua Dr Teodoro Baima, 98 República – São Paulo


terça-feira, 23 de maio de 2017

"COMPRA DE SILÊNCIO"

                                       
                     Jornalista processa delator da JBS por
                     calúnia e difamação em depoimento

Pedro Canário

O jornalista Cláudio Humberto ajuizou uma queixa-crime por calúnia e difamação contra o executivo Ricardo Saud, lobista do Grupo J&F, dono do frigorífico JBS. Em delação premiada, Saud disse que pagava R$ 18 mil por mês ao site de Cláudio Humberto para evitar notícias negativas sobre ele. O jornalista afirma que está sendo vítima de vingança por parte do executivo. A ação foi protocolada na segunda-feira (22/5).

Na queixa, Cláudio Humberto diz que o contrato que tinha com o J&F era de publicidade, e não de “compra de silêncio”, como disse Saud à Procuradoria-Geral da República. Saud é um dos delatores envolvidos no acordo de delação assinado pelo Grupo J&F com a PGR. Em seu depoimento, ele diz ser o braço executor de diversas decisões de Joesley e Wesley Batista de pagamento de suborno a políticos e membros do governo.

Cláudio Humberto é dono do site Diário do Poder e produz uma coluna diária de notícias curtas publicada em mais de 30 jornais do país. Foi assessor de imprensa e porta-voz de Fernando Collor quando ele foi presidente da República, entre 1990 e 1992. Ele afirma que a fala de Saud é a forma de ele se vingar por informações reveladas pela coluna em 2014, quando Cláudio disse que Saud era “o homem da mala” da JBS.

Na época, o jornalista disse que Saud dava churrascos de presente ao então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e era o responsável por fazer os pagamentos de doações da JBS a políticos. Segundo Cláudio Humberto, Saud começou a carreira como assessor do ex-deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), cassado sob a acusação de ter recebido propina para a instalação de um restaurante na Câmara.

Em seus depoimentos, Ricardo Saud afirma que foi orientado por Renan a “comprar o silêncio” de Cláudio Humberto. “Tem dois anos que estamos pagando para ele parar de falar mal da gente. Se não pagar, no dia seguinte ele vai lá e fala mal”, depôs o executivo.

Cláudio Humberto afirma que o contrato era de publicidade e foi assinado no dia 5 de fevereiro de 2015. Ele apresentou o contrato na queixa-crime apresentada à Justiça.

Em seu site, divulgou algumas cláusulas. Uma delas, escreveu, diz: “A contratante terá direito à veiculação de banner publicitário, com marca, em espaço disponibilizado pela contratada, no portal Diário do Poder”. Outra afirma que “a presente relação contratual não implica em qualquer compromisso editorial”.

Processo 0007038-98.2017.8.07.0001

(Com a Conjur)

DESIGUALDADE SOCIAL

                                                                                                        Banco Mundial/Mano Strauch                                                               
Novos esforços multilaterais são necessários para tirar 550 milhões de pessoas dessa situação, dizem as Nações Unidas Créditos: Novos esforços multilaterais são necessários para tirar 550 milhões de pessoas dessa situação, dizem as Nações Unidas 

ONU: 6,5% da população
global continuarão na 
pobreza extrema até 2030

Relatório alerta que isso acontecerá se as atuais taxas de crescimento e políticas permanecerem inalteradas

Edgard Júnior

Novos esforços multilaterais são necessários para tirar 550 milhões de pessoas dessa situação, dizem as Nações Unidas - Créditos: Banco Mundial/Mano Strauch

O relatório da ONU sobre Financiamento para o Desenvolvimento 2017, divulgado  segunda-feira (22), afirma que 6,5% da população global continuará na pobreza extrema até 2030, se a atual taxa de crescimento e políticas para o setor permanecerem inalteradas.

Para as Nações Unidas, novos esforços multilaterais são necessários para tirar 550 milhões de pessoas dessa situação.

Durante evento no Conselho Econômico e Social, Ecosoc, a vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, fez um pronunciamento por vídeo aos participantes do encontro.

Mohammed disse que Agenda de Adis Abeba, a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável e o Acordo de Paris, sobre mudança climática, representam um mapa para um futuro melhor.

De acordo com o relatório da ONU, se a tendência permanecer como agora, irá prejudicar seriamente os esforços para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, principalmente o de eliminar a pobreza até 2030.

Os países menos desenvolvidos, chamados de LCDs, devem ficar muito abaixo das metas estabelecidas.

Por exemplo, as projeções indicam que o Produto Bruto Global, o PIB mundial, deve crescer menos de 3% pelos próximos dois anos. O relatório diz que com o lento avanço do comércio internacional, o PIB global avançou menos de 2% em termos de valor anual entre 2011 e 2014.

Ação

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu ação imediata dos países para combater o problema. Ele disse que "apesar dos grandes esforços na luta contra a pobreza, a desigualdade aumentou em todo o mundo".

Além disso, "os conflitos estão proliferando e outros problemas como mudança climática, insegurança alimentar e escassez de água estão colocando em risco os progressos alcançados nas últimas décadas".

O relatório diz que muitos dos desafios que os países enfrentam, incluindo o lento crescimento econômico, mudança climática e crises humanitárias, têm efeitos através das fronteiras ou até mesmo globais.

Segundo os especialistas, esses desafios não podem ser enfrentados por apenas uma nação. A solução é uma cooperação multinacional para o desenvolvimento sustentável.

O documento inclui experiências, análises e dados de mais de 50 instituições internacionais que formam a Força Tarefa Interagência sobre Financiamento para o Desenvolvimento.

Neste grupo estão ainda o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a Organização Mundial do Comércio, o Programa da ONU para o Desenvolvimento e a Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento, Unctad.

(Com a Rádio ONU/Brasil de Fato)

A Galícia discute a situação na Venezuela


A ONG Rio de Paz faz ato de protesto no gramado do Congresso Nacional com máscaras representando parlamentares envolvidos em casos de corrupção (Marcelo Camargo/Agência Brasil)


Instituto de Estudo Latino-Americanos analisa a situação política brasileira

Morre um dos melhores James Bond

                                                       

                  O ator  Roger Moore morre

A estrela de longa data de James Bond morreu aos 89 anos na Suíça depois de uma curta batalha contra o câncer.

Roger Moore, a estrela de cinema de maior prestígio para interpretar o icônico espião britânico James Bond, morreu na Suíça aos 89 anos após um breve ataque com câncer.

"Com o coração mais forte, temos de compartilhar a terrível notícia de que nosso pai, Sir Roger Moore, morreu hoje, estamos todos devastados", disse uma mensagem de sua família na conta oficial do ator, na terça-feira.

"Sabemos que o nosso próprio amor e admiração serão ampliados muitas vezes por todo o mundo, por pessoas que o conheceram por seus filmes, seus programas de televisão e seu trabalho apaixonado pela UNICEF, que ele considerou ser sua maior conquista", uma declaração disse. 

Nascido em Londres, Moore, único filho de um policial, estudou pintura antes de se matricular na Academia Real de Arte Dramática.

Jogou alguns papéis pequenos no teatro e nos filmes antes de seu dever obrigatório do exército, a seguir moveu-se para Hollywood nos 1950s.

Em 1954, ele apareceu com Elizabeth Taylor em The Last Time I Saw Paris e com Eleanor Parker em Interrupted Melody no ano seguinte.

Três anos mais tarde, ele fez seu primeiro filme de Bond Live and Let Die.

Ele faria mais seis: O homem com a arma dourada, 'O espião que me amou, Octopussy, Moonraker, para seus olhos somente e uma vista a uma matança sobre os 12 anos seguintes.

E enquanto o Bond dos romances Ian Fleming que os filmes foram baseados em foi geralmente descrito como sendo em sua 30s, Moore iria ficar com o papel até que ele tinha 57 anos.

Ele continuou a trabalhar regularmente em filmes depois de entregar Bond a Timothy Dalton, mas nunca com o mesmo sucesso. Seus filmes pós-Bond incluíam esforços tão esquecidos como The Quest com Jean-Claude Van Damme e Spice World com as Spice Girls.

Papel do UNICEF

Em 1991, Moore se tornou um embaixador da benevolência para UNICEF, tendo sido introduzido ao papel pela actriz atrasada Audrey Hepburn. Como Hepburn tinha, ele jogou muita da sua energia para a tarefa.

"Senti-me pequeno, insignificante e bastante envergonhado por ter viajado tanto fazendo filmes e ignorado o que estava acontecendo ao meu redor", disse ele ao descrever como o trabalho o afetou.

Moore recebeu o Dag Hammarskjold Inspiration Award por seu trabalho com a UNICEF e foi nomeado comandante da Ordem Nacional de Artes e Letras da França em 2008, um prêmio que ele disse valia "mais do que um Oscar".

Nesse mesmo ano, ele publicou uma autobiografia, "My Word Is My Bond", que inclui detalhes sobre seu trabalho nos filmes Bond, sua amizade com Hepburn, seus encontros com Cary Grant, Frank Sinatra, Elizabeth Taylor e outras estrelas. 

(Com a Al Jazeera)