sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Carruagens para o além


                                                                   
                               

José Carlos Alexandre


Volta e meia a Nasa e outras organizações que ficam em permanente contato com o cosmos anunciam a descoberta de um planeta com as necessárias condições para abrigar vidas como as existentes na Terra.

O tema, sem dúvida, é tido como capaz de provocar algo como total arrebatamento entre nós, antes humildes descendentes de Adão e Eva, de um lado, ou de prosaicos chimpanzés, de outro, dependendo sejamos adeptos ou do criacionismo ou do evolucionismo. (Quem pode explicar melhor é o escritor israelense Yuval Harari em suas obras.)

Pois é, agora fala-se na descoberta de um planetinha, muito parecido com este em que habitamos,relativamente próximo ao sistema solar.

Um tema para fazer as delícias dos roteiristas de cinema e das novas formas de se assistir às ficções.

O próprio cinema brasileiro não resistiu à onda ao levar Oscarito e Norma Bengell às telonas em "O 

homem do Sputnik", em 1959, apenas dois anos depois de a União Soviética deixar o mundo de boca 

aberta com o lançamento do primeiro satélite artificial da Terra.

Todo o problema agora é a necessidade urgente de se descobrir um planeta que seja quase que um clone do nosso.

Isto porque este nosso mundão, resultante da grande explosão do Big Bang, está rapidamente 

chegando ao fim graças à poluição, ao desmatamento, ao derretimento das geleiras e sabe-se lá que 

outras desgraças que só tiram o sono de cuidadosos ambientalistas e cientistas que não são levados 

em conta por chefes de Estado como o Sr. Donald Trump.

Vamos lá, construamos logo as carruagens para além mundo...

Ministro do STF Luís Roberto Barroso defende a descriminalização das drogas


                                                                 Apu Gomes / AFP / Getty Images


Durante décadas, armas e prisões foram a marca da guerra do Brasil contra o narcotráfico. Mas a única maneira de vencer as gangues é parar de criar criminosos, diz um alto juiz brasileiro

Quarta-feira 15 de novembro de 2017 13.10 GMT Última modificação em quarta-feira 15 de novembro de 2017 13.12 GMT

A guerra que raiva na Rocinha, a maior favela da América Latina, já foi perdida. Enraizada em uma disputa entre gangues pelo controle do narcotráfico, interrompeu a vida diária da comunidade no Rio de Janeiro desde meados de setembro. Com o som de tiros vindos de todos os lados, escolas e lojas são constantemente forçados a fechar. Recentemente, uma bala perdida matou um turista espanhol. A guerra não é a única coisa perdida.

Durante décadas, o Brasil teve a mesma abordagem de política de drogas. Polícia, armas e numerosas prisões. Não é preciso um especialista para concluir o óbvio: a estratégia falhou. O tráfico e o consumo de drogas apenas aumentaram. Einstein é creditado com um ditado - embora, aparentemente, não seja dele - isso se aplica bem ao caso: a insanidade está fazendo a mesma coisa uma e outra vez e esperando resultados diferentes.

Em um caso ainda perante a Suprema Corte do Brasil, votei pela descriminalização da posse de maconha para consumo privado. O caso foi suspenso e nenhuma data foi definida para sua retomada. Proponho também abrir um amplo debate sobre a legalização da maconha, para começar - e depois, se tiver sucesso, a cocaína. O assunto é extremamente delicado, e o resultado depende de uma decisão da legislatura.

As drogas são uma questão que tem um impacto profundo no sistema de justiça criminal, e é legítimo que a Suprema Corte participe do debate público. Então, aqui estão os motivos das minhas opiniões.

Primeiro, as drogas são ruins e, portanto, é o papel do Estado e da sociedade desencorajar o consumo, tratar os dependentes e reprimir o tráfico. O raciocínio por trás da legalização está enraizado na crença de que isso ajudará na consecução desses objetivos.

Em segundo lugar, a guerra contra as drogas falhou. Desde a década de 1970, sob a influência e a liderança dos EUA, o mundo abordou este problema com o uso de forças policiais, exércitos e armamentos. A trágica realidade é que 40 anos, bilhões de dólares, centenas de milhares de prisioneiros e milhares de mortes depois, as coisas são piores. Pelo menos em países como o Brasil.

Em terceiro lugar, como o economista americano Milton Friedman argumentou , o único resultado da criminalização é garantir o monopólio do traficante.

Com estes pontos em mente, o que a legalização conseguiria?

Na maioria dos países da América do Norte e da Europa, a maior preocupação das autoridades são os usuários e o impacto que as drogas têm em suas vidas e na sociedade. Estas são considerações importantes.

No Brasil, no entanto, o foco principal deve ser o fim do exercício do traficante de drogas de dominância sobre as comunidades pobres. As pandillas se tornaram o principal poder político e econômico em milhares de bairros modestos no Brasil.

Este cenário impede uma família de pessoas honestas e trabalhadoras de educar seus filhos para longe da influência de facções criminosas, que intimidam, cooptam e exercem uma vantagem injusta sobre qualquer atividade legal. Crucialmente, esse poder de tráfico vem da ilegalidade.

Outro benefício da legalização seria prevenir o encarceramento em massa de jovens empobrecidos sem antecedentes criminais que são presos por tráfico porque estão presos na posse de quantidades insignificantes de maconha. 

Um terço dos detidos no Brasil estão presos por tráfico de drogas. Uma vez presos, os jovens prisioneiros terão que se juntar a uma das facções que controlam os penitenciários - e naquele dia, eles se tornam perigosos.

Além disso, cada lugar na prisão custa 40 mil reais (£ 9,174) para criar e 2.000 reais por mês para manter. Pior ainda, dentro de um dia de um homem preso, outro é recrutado do exército de reserva que existe em comunidades pobres.

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A insanidade desta política é impressionante: destrói vidas, gera piores resultados para a sociedade, é caro e não tem impacto no tráfico de drogas. Somente a superstição, o preconceito ou a ignorância podem fazer com que alguém pense que isso é efetivo.

Por estas razões, acredito que devemos considerar meios alternativos de combate à droga, designadamente um melhor planejamento, engajamento de especialistas e uma maior atenção às experiências de outros países. 

Devemos considerar a possibilidade de lidar com a maconha enquanto lidamos com os cigarros: um produto lícito, regulamentado, vendido em certos lugares, tributado e sujeito a restrições de idade e propaganda, notificações de advertência e campanhas que desencorajam o consumo. Nas últimas duas décadas, o consumo de cigarros no Brasil diminuiu mais de metade; A luta à luz do dia, com idéias e informações, trouxe melhores resultados.

Não podemos ter certeza de que uma política progressiva e cautelosa de descriminalização e legalização seja bem sucedida. O que podemos afirmar é que a política de criminalização existente falhou. Devemos arriscar-se; Caso contrário, arriscamos simplesmente aceitar uma situação terrível. Como o navegador brasileiro Amyr Klink disse: "O pior naufrágio não está se afastando".

(Com o The Guardian/ConJur)

Descriminalização das Drogas


SBT inicia plano de demissões; jornalismo, entretenimento e manutenção são afetados

                                                                                 
Após a edição deste ano do Teleton, a emissora de Silvio Santos deu início a um plano de demissões que deve atingir mais de 100 profissionais da casa nas áreas do jornalismo, produção, entretenimento e até da faxina. Segundo informações de Cristina Padiglione, todos os cortes devem acontecer ainda em 2017.

No jornalismo, até o momento, foram duas baixas. A partir de agora, a emissora conta somente com uma equipe para a realização de links ao vivo. Profissionais ligados a afiliadas e do setor de produção também foram dispensados. Ainda de acordo com Padi, o serviço de faxina da emissora foi terceirizado.

Segundo Daniel Castro, do “Notícias da TV”, este é o maior corte de profissionais desde 2015, quando o SBT também demitiu cerca de 100 pessoas. As dispensas teriam como objetivo economizar aproximadamente R$ 12 milhões e compensar parte da queda de receitas com publicidade em um dos piores anos de sua história recente.

(Com o Portal Imprensa)

Medições de Paz

Vasco Gargalo/Rebelión

LuisLINDA. SERÁ?


                                                            
Antônio de Faria Lopes

Advogado

O primeiro Ministério de Michel Temer foi muito mal recebido pela nação. Não tinha mulheres. As feministas protestaram. O presidente foi acusado de machista e de desconhecer a luta de libertação das mulheres e o espaço que elas já alcançaram.  Afinal a antecessora dele era uma mulher que tinha vencido as eleições. Um mês depois de assumir provisoriamente o poder, em 13 de junho de 2.016, ele nomeou a Dra. Luislinda Valois para chefiar a Secretaria de Promoção da igualdade Racial. 

Era mulher e era negra. Em setembro foi nomeada a Dra. Grace Mendonça para a Advocacia Geral da União que tem status de Ministério. Neste ano, no dia 3 de fevereiro Dona Luislinda foi promovida a Ministra dos Direitos Humanos. As mulheres passaram a ter duas representantes no primeiro escalão, o governo não poderia mais ser acusado de machista. Dois episódios recentes diminuem a esperança de que a presença de mulheres no ministério poderia ajudar a mudar a imagem tão depreciada do governo que amarga os menores índices de aprovação de nossa história. 

A tentativa da Ministra dos Direitos Humanos de conquistar a acumulação da sua remuneração de R#33.700,00, com os de desembargadora aposentada, elevando o seu ganho mensal para mais de 60 mil reais acabou levando-a às primeiras páginas dos jornais de maneira deprimente. É que a Dra. Luislinda, de origem humilde (seu nome foi-lhe dado porque o pai é Luis e mãe Lindaura) e com uma bela história de superação comparou o seu trabalho ao de escravos, horário integral incluindo fins de semana, gastos altíssimos com maquiagens, pintura de cabelo e roupas chiques. 

Por uma coincidência infeliz, ela tinha se mantido em silêncio em face da iniciativa do presidente de amenizar e quase suprimir a fiscalização e o combate ao trabalho escravo ainda existente, principalmente nas grandes empresas rurais, controladoras de boa parcela do poder legislativo. Por uma triste ironia ela é ministra dos direitos humanos. 

A Dra. Grace Mendonça é mineira e tem uma competência reconhecida tanto na AGU como na PGR. Por isto mesmo é que sua representação junto ao STF a favor da revogação da possibilidade de prisão para condenados em segunda instância surpreendeu os que tinham esperança de que ela não se submeteria aos interesses do presidente e de seus colegas ministros que perderão o privilégio do foro especial em pouco mais de um ano.

Ela sabe, melhor que ninguém, que somente os ricos têm recursos para levar seus processos às instâncias superiores, além, claro dos que detêm o foro privilegiado. Sabe e deve conhecer o sem conta de processos cujos réus são beneficiados pela prescrição da pena pela lentidão dos tribunais superiores. Sabe das centenas de milhares de pobres que superlotam nossas prisões grande parte deles sem nenhuma condenação. Revogar a decisão do STF é, na prática, um perdão antecipado aos ricos e aos políticos.

(Com O Tempo/Gilberto Araújo Araújo)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Ética e transparência


      


José Carlos Alexandre

Se este fosse um país realmente sério, seu povo exigisse nas ruas e os meios de comunicação independentes, teríamos agora uma CPI, mista ou não, para apurar as denúncias de que algumas redes de televisão teriam pago 15 ou mais milhões pelo direito de transmissão de copas de futebol.

E por que especificamente futebol?

Por ser a grande distração do povo,

Este povo tão sofrido que sacrifica um pouco mais de proteína para seus filhos para enfrentar longas horas na fila de ônibus para ir aos estádios ("arenas") em busca de diversão.

Enquanto os maiorais das entidades se enriquecem fazendo acordo com deuses e diabos.

Mesmo porque as concessões de TVs e rádios são públicas e como tal deveriam zelar sempre por atitudes éticas  transparentes.



Globo, Fox Sports, Televisa e Traffic são acusadas de pagar propina por direitos de transmissão

                                                                      
O empresário argentino Alejandro Burzaco, delator no caso de corrupção “Fifa Gate”, afirmou em depoimento em Nova York, nesta terça-feira (14), que Globo, Fox Sports, Televisa e Traffic pagaram propina para adquirir direitos de transmissão de campeonatos de futebol.

Burzaco é ex-diretor da empresa de eventos esportivos Torneos y Competencias (TyC) e segundo ele, ao ser perguntado sobre quais grupos de mídia teriam participado do esquema por um dos promotores, citou "Fox Sports dos Estados Unidos, Televisa do México, Media Pro da Espanha, TV Globo do Brasil, Full Play da Argentina e Traffic do Brasil". Segundo o empresário, Marcelo Campos Pinto, então diretor do departamento esportivo da Globo, teria negociado com os cartolas o pagamento da propina. A informação foi divulgada em primeira mão pelo site Buzz Feed News. 

O dinheiro pago pela Globo teria sido destinado a altos executivos da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e da Confederação Sul-Americana de Futebol, a Conmebol, responsável por campeonatos como a Copa Libertadores da América e a Copa América. No entanto, o delator não mencionou quais os valores pagos pela empresa.

No depoimento, houve o seguinte diálogo entre Buzarco e o promotor Samuel Nitze:

Nitze: A Torneos fez alguma parceria com outras empresas de mídia?
Burzaco: Sim.
Nitze: Com quem?
Burzaco: Várias. Fox Sports, Televisa, Media Pro, TV Globo, Full Play, Traffic, Grupo Clarín
Nitze: Alguma delas pagou propina?
Burzaco: Todas, com exceção do Clarín. Todas.

Na sequência, o promotor questionou sobre o pagamento de propina citando o contrato da Copa Libertadores:

Nitze: A Torneos mantinha informado algum de seus parceiros sobre o pagamento de propina relacionada ao contrato da Copa Libertadores?
Burzaco: Sim. A Fox Panamerican.

Buzarco também implicou dois ex-presidentes da CBF (José Maria Marin e Ricardo Teixeira), e o atual mandatário, Marco Polo Del Nero. De acordo com o delator, os três teriam recebido pagamentos de um período entre 2006 e 2015. Os valores recebidos por cada um deles chegavam até a um milhão de dólares por campeonato cujos direitos de transmissão negociavam.

Del Nero teria entrado no esquema após a morte do ex-presidente da Associação Argentina de Futebol, Julio Grondona, em 2014. O cartola brasileiro e Marin teriam pedido reajuste no valor da propina paga em troca dos direitos de transmissão. "Marin me deu um abraço e fez um discurso de agradecimento. Del Nero abriu um caderno e anotou os valores. Os dois disseram que dariam instruções sobre como queriam receber o dinheiro", afirmou Burzaco.

Na edição de terça-feira (14) do Jornal Nacional, a emissora afirmou que tentou contato com o ex-diretor Marcelo Campos Pinto, mas que não obteve sucesso. 

A Fox Sports afirmou em nota que “qualquer menção em relação a que Fox Sports teve conhecimento ou aprovou subornos é absolutamente falsa". Já a Globo, reiterou em diversos telejornais a sua isenção no caso. 

Por meio de um comunicado, a Televisa rechaçou o depoimento de Burzaco. “Em resposta a recentes publicações de mídia relacionadas ao Grupo Televisa, bem como acusações de atos de corrupção contra três executivos da Fifa, o Grupo Televisa nega qualquer irregularidade. De mesmo modo, o Grupo Televisa nunca conheceu ou autorizou, de qualquer forma, suborno ou conduta inadequada”.   

Nota da Rede Globo

Sobre o depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que, após mais de dois anos de investigação, não é parte nos processos que correm na Justiça americana.

Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos.

O Grupo Globo se surpreende com o relato envolvendo o ex-diretor da Globo Marcelo Campos Pinto. A ser verdadeira a situação descrita, o Grupo Globo deseja esclarecer que Marcelo Campos Pinto, em apuração interna, assegurou que jamais negociou ou pagou propinas a quaisquer pessoas.

O Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Os nossos princípios editoriais nem permitiriam que fosse diferente. Mas o Grupo Globo considera fundamental garantir aos leitores, aos ouvintes e aos espectadores que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.

MPF quer bloqueio de R$ 24 milhões em bens de Lula e seu filho Luís Cláudio


                                                                               

André Richter - Repórter da Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal pediu à Justiça o bloqueio de bens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de um de seus filhos, Luís Cláudio, no valor de R$ 24 milhões. O pedido foi feito como medida cautelar preventiva na ação penal na qual Lula é réu na Justiça Federal em Brasília.

Após receber o pedido de bloqueio, o juiz federal Vallisney de Oliveira (imagem), responsável pelo caso, pediu a manifestação dos advogados do ex-presidente e decidirá a questão após analisar os argumentos da defesa.  A decisão foi proferida no dia 6 de novembro, mas foi divulgada somente nesta quinta-feira (16). O bloqueio também envolve o empresário Mauro Marcondes Machado e da esposa dele, Cristina Mautoni Marcondes Machado.

No processo, Lula é acusado do crime de tráfico de influência na compra, pelo governo federal, de caças da Força Aérea Brasileira (FAB) da empresa sueca Saab. A denúncia apresentada pelo MPF foi aceita pela Justiça em dezembro do ano passado. Nela, o MPF diz que houve tráfico de influência na edição de uma medida provisória, editada em 2015, de incentivos fiscais a montadoras de veículos, e nas negociações em torno da compra dos caças suecos pelo governo federal, em 2013.

Em nota, a defesa de Lula afirmou que o pedido de bloqueio não tem base jurídica e que as testemunhas ouvidas no processo confirmaram que a compra dos aviões foi feita com base em orientações técnicas da FAB.

“As provas existentes nos autos, portanto, mostram com absoluta segurança que o ex-presidente Lula e Luís Cláudio não tiveram qualquer participação da compra dos caças suecos, tampouco na sanção presidencial do artigo 100 da Medida Provisória 627/2013. Mostram, ainda, que Luís Cláudio prestou os serviços de marketing esportivo contratados pela empresa Marcondes e Mautoni e tinha expertise na área, adquirida em trabalhos realizados em algumas das maiores equipes de futebol do país e, ainda, na organização e implementação de um campeonato nacional de futebol americano. Lula jamais recebeu valores da Marcondes e Mautoni ou de terceiros por ela representados”, disse a defesa.

(Com a Agência Brasil)

Paraíso Fiscal

Ramses Isquierdo/Rebelión

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Os ataques a Lênin (antes e depois de morrer)

                                                                                                                    Reuters
                                                                                      
Georgui Manáev

Enterrar ou não enterrar – essa é a questão que está sendo debatida atualmente na Rússia. Provavelmente a figura histórica (morta) mais famosa em exibição no mundo, o ex-líder revolucionário Vladimir Lênin sobreviveu a várias tentativas de assassinato durante sua vida, mas também se esquivou de alguns ataques póstumos.

Durante a época em que foi líder do Estado soviético, Vladimir Lênin não parecia muito preocupado com sua segurança pessoal – em geral era acompanhado por apenas um guarda-costas. No entanto, Lênin foi vítima de mais de uma tentativa de assassinato – sendo a primeira vez em janeiro de 1918, quando os monarquistas tentaram baleá-lo. Pouco depois, outro complô para tirar sua vida foi frustrado, e em agosto, também de 1918, Lênin quase morreu nas mãos da terrorista Fanny Kaplan.

Ainda assim, ele só decidiu reforçar sua segurança após um incidente inusitado. Em 1919, o carro do líder soviético foi parado nos arredores de Moscou por seis bandidos armados que queriam roubar suas rodas (os carros ainda eram uma forma rara de transporte) para que tivessem um carro de fuga para um assalto a banco.

Quando Lênin, sua irmã e seu motorista e guarda-costas particulares saíram do carro, ele disse: “Qual é o problema? Eu sou Lênin!”. Os criminosos não o reconheceram, porém, e roubaram seu carro, dinheiro e documentos. Depois disso, o governante soviético ordenou uma unidade de guarda em tempo integral para si.

Mas ninguém mais tentou matar o líder dali em diante.

Cadáver desprezado

Pouco depois de sua morte, em 21 de janeiro de 1924, Lênin teve seu corpo embalsamado e colocado no Mausoléu na Praça Vermelha. Mas nem o fato de ele estar morto impediu algumas pessoas de tentar mutilar seu corpo. Dez anos depois, por exemplo, em 19 de março de 1934, um homem entrou no mausoléu e tentou disparar contra cadáver – mas, depois de errar a mira, voltou a arma contra si.

Tratava-se do trabalhador agrícola Mitrofan Nikitin, que, insatisfeito com a crescente corrupção e fome no Estado recém-nascido, queria desfigurar o corpo de Lênin como um ato de protesto. Um bilhete de suicídio explicando sua motivação foi achado em seu corpo e enviado imediatamente ao arquivo privado de Stálin. “Acorde, o que você está fazendo? Aonde você levou o país? Tudo está indo ladeira abaixo”, lia-se. No entanto, os detalhes dessa empreitada não foram revelados até a década de 1990.

Em 20 de março de 1959, houve uma nova tentativa: alguém tentou quebrar o vidro que cobre o sarcófago de Lênin com um martelo, mas sem sucesso. Já em julho de 1960, um homem chamado Minibaev foi mais bem-sucedido, ao subir no invólucro e chutar a estrutura que recobre o caixão. Na ocasião, fragmentos de vidro perfuraram as mãos de Lênin e tiveram que ser removidos com pinças e solução de limpeza. O rosto do cadáver, entretanto, precisou passar por um trabalho de reparação completo. No interrogatório, Minibaev confessou planejava destruir o corpo desde 1949.

Depois disso, o vidro do sarcófago foi temperado – de modo que, quando um pensionista de 59 anos tentou quebrá-lo em 1966 com uma marreta, continuou intacto.

Assassino desconhecido

Há, no entanto, pouca informação disponível sobre as pessoas que atacaram o corpo de Lênin. O último e mais mortal ataque, que reivindicou vidas inocentes, também foi realizado por um homem cujos registros literalmente desapareceram.

Em 1º de setembro de 1973, os alunos de uma escola de Moscou estavam fazendo uma visita ao mausoléu no feriado nacional do Dia do Conhecimento. A segurança na porta era mínima – as malas eram deixadas, mas não era feita nenhuma inspeção pessoal. Um homem se juntou ao grupo de crianças para que os seguranças pensassem que ele era um professor e, ao caminhar ao redor do sarcófago, detonou uma bomba, matando instantaneamente um casal de Ástrakhan, deixando quatro crianças e dois guardas gravemente feridos, e tirando sua própria vida. 

Por ironia do destino, tanto o sarcófago como o corpo de Lênin ficaram ilesos ao ataque. Documentos descobertos mais tarde sugeriram que o agressor já havia sido condenado a 10 anos de prisão.
                                                                ]
                                                                             

                                                                            Valeriy Shustov/RIA Novosti


Guardas na entrada de mausoléu
       
Esse foi o último ataque sério ao cadáver de Lenin. Na Rússia pós-soviética, ocorreram incidentes menos graves: em 2010, um homem (procurado por roubo e assalto) apelou aos berros para enterrar o corpo de Lênin e destruir o mausoléu, e, no mesmo ano, outro homem jogou um rolo de papel higiênico no túmulo antes de ser confinado em uma casa psiquiátrica. 

Cinco anos depois, alguns ativistas políticos derramaram água sagrada sobre o mausoléu, antes de serem detidos pelos guardas. “Levante-se e vá embora!”, gritaram os ativistas. Mas ele permaneceu.

https://br.rbth.com/historia/79450-ataques-lenin-antes-depois-morrer

(Com Russia Beyond)

O MM5 aborda a Revolução de Outubro

                                                                           
                     
                                      "A Revolução Russa permanece viva

Na madrugada do dia 7 de Novembro de 1917 (25 de Outubro pelo calendário de então) uma milícia comandada pelo dirigente bolchevique Antonov-Oveseenko invadiu o Palácio de Inverno em São Petersburgo e tomou o poder. 

Realizava-se assim um sonho milenar de todos explorados da terra. A história já registrara muitas e igualmente heroicas lutas e conquistas dos de baixo nos quatro cantos de mundo, de Espártaco na Roma Antiga a Lautaro (Chile) e José Maria Morelos (México) na nossa América Latina. Marcos de resistência e exemplos eternos. 

Mas foi na Revolução Russa que o mundo viu nascer uma insurgência dos oprimidos que trazia marcas de esperança e solidez que se fizeram eternas. Sim, eternas. Eternas por que permanecem vivas e plenas em nossas consciências e em nossos corações. Venceremos!

Que não se iludam os acadêmicos e escribas em geral vendidos à podridão dos interesses dos donos do capital, dos atuais senhores da Terra: a Revolução Russa continuar a mover e a inspirar milhões de homens e mulheres mundo afora. A inspirar e a ensinar a todos aqueles que não nos deixamos enganar pela tão astuta quanto raivosa propaganda anticomunista e que permanecemos firmes no objetivo da libertação do proletariado e da humanidade. 

Não se equivoquem, senhores: o fantasma do comunismo continuar a rondar vossas riquezas e vossas casas. O capitalismo há muito já provou o que é: guerra, morte, fome, miséria, destruição. O socialismo – com o exemplo maior da experiência soviética – também já provou o que é e o que pode: casa, comida, educação, cultura e lazer para amplas massas de humanos antes lançados pelos donos do capital ao lodaçal da miséria e da opressão. Da escravidão.

Uma das maiores vitórias da burguesia, senão a maior, em todo o quadro das lutas mundiais de classes foi e tem sido a de minimizar, obscurecer e ocultar mentirosamente os enormes e inusitados ganhos materiais e culturais obtidos pelo proletariado – a imensa maioria da população onde quer que seja – nos países que instalaram relações e econômicas e políticas socialistas, revolucionárias, dentro de suas fronteiras. 

Desde a Rússia, com todas as repúblicas que formaram a União Soviética, e a China até países do chamado Terceiro Mundo, como a gloriosa Cuba e o heroico Vietnam. A guerra de propaganda desencadeada pelos meios de comunicação (rádio, televisão, jornais cinema, teatro etc.) e pela academia burguesa de ontem e de hoje ocorre, como se sabe, sobre a base de uma permanente e mais que cruel ação militar das forças imperialistas na qual massacres de populações civis são enormemente superiores em número de vítimas que embates diretos entre efetivos militares. 

Nisso, o capitalismo industrial-financeiro segue o mesmo caminho do extermínio de seres humanos perpetrado pelo capitalismo comercial bem conhecido nas Américas, dos indígenas norte-americanos aos irmãos do centro e do sul do continente: da atual República Dominicana à fronteira Brasil-Argentina-Paraguai, passando pelos grandes genocídios no México e no Peru. De vez em quando, para que não se diga que não falam em flores, acadêmicos e midiáticos se dizem consternados, comovidos e tristes com o grande genocídio americano.

Reformismo e trotsquismo

Mas são rios e rios de tinta e saliva para falar e denunciar com pompa e circunstância o que chamam de “crimes de Stálin”, a “ditadura de Fidel” etc. etc. Alguns chegam a garantir, sem qualquer resquício de prova, que Stálin determinou a execução de dez milhões de pessoas! Provas? Nenhuma? Vestígios, sim, simples vestígios, históricos? Nenhum.

Na realidade – e aqui entra uma questão decisiva –, quando a direita, a academia e os meios de comunicação dizem apontar para Stálin, na verdade estão dirigindo seus disparos criminosos contra Vladimir Lênin, o grande arquiteto da Revolução Russa e construtor maior do estado soviético. E aqui entra um fator decisivo na empreitada imperialista de atribuir veracidade à grande mentira imperialista: a função de quinta coluna (agente do inimigo entre nossas forças) desempenhada pelo reformismo e pelo trotskismo. 

Este, desde sempre empenhado cotidiana e obcecadamente em sabotar a Revolução Russa desde o primeiro dia após a tomada do poder. Como se sabe, aliás, o próprio Trotsky sempre fez parte do partido menchevique – reformista e conciliador, contrarrevolucionário –, tendo ingressado no partido bolchevique apenas em agosto de 1917, de embolada com um grupo pequeno-burguês em que também recentemente ingressara somente para evitar a necessária autocrítica, radical, que até hoje o trotskismo deve à história. 

Registra a história: Trotsky tentou sabotar a paz de Brest-Litovski, quis estatizar os sindicatos (posição corporativista), posicionou-se contra a NEP leninista, colocou-se ao lado dos neolatifundiários culaques na socialização do campo levada e efeito por Stálin e, o mais grave, tentou um golpe de estado contra o poder soviético em novembro de 1927, durante as comemorações dos dez anos da revolução. 

Depois, já expulso da URSS, chegou a afirmar que lhe agradaria ver Hitler invadir e ocupar a União Soviética, com o ‘argumento’ de que isso traria a queda do ‘estalinismo’. E segue o trotskismo sua linha messiânica e objetivamente colaboracionista, o que se expressa mais claramente hoje em sua aliança, informal mas de fato, com as forças fascistas que, a serviço do imperialismo, combatem o bolivarianismo.

Por seu lado, o reformismo mundial solidarizou-se com a Revolução Russa até a morte de Josef Stálin, em 1953. Mais que isso, seguiu à risca e obedientemente a linha reformista de ‘convivência pacífica’ com o capitalismo adotada pela URSS no pós-II Guerra, o que expressava a estratégia das Frentes Populares, de aliança com a burguesia como caminho para o socialismo. E esta é a crítica que fazemos a Stálin. 

É certo que a União Soviética não tinha condições então, destroçada que estava ao final da guerra, de promover revoluções pelo mundo, correndo inclusive o risco de uma invasão pelas frescas tropas norte-americanas, que tiveram perdas militarmente desprezíveis no confronto. Mas nada a nosso juízo justifica desenvolver, o que foi feito, uma prática reformista de aliança com a burguesia a pretexto de garantir a sobrevivência da União Soviética. 

Para se ter ideia de a que ponto chegou tal política reformista imposta a todos os partidos comunistas de linha soviética, o Partido Comunista Brasileiro chegou a garantir que o Brasil era um país feudal, o que exigiria uma aliança com a burguesia como caminho do poder. Deu no que deu.

Já com Nikita Kruschov no comando do poder, o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética adota a tal política de ‘desestalinização’, na verdade uma crítica pela direita da política até então em prática, com base em um certo ‘Relatório Secreto’ dos ‘crimes de Stálin’, cuja autenticidade jamais, até hoje, foi comprovada.

Então, o que antes era tática foi transformado em estratégia. Como linha condutora geral do programa econômico do socialismo soviético foi adotada a estratégia de competição com os países capitalistas avançados (Estados Unidos, especificamente) em busca do santo graal do crescimento acelerado, custasse o que custasse.

E custou na URSS um aprofundamento da diferenciação salarial, prêmios para operários e gerentes por produtividade, planejamento econômico descentralizado, por unidade produtiva, fortalecimento das cooperativas no campo em detrimento das fazendas estatais etc. Ou seja, plantaram-se sementes de capitalismo que desgraçadamente floresceram. É importante, decisivo mesmo, destacar que jamais s URSS desenvolveu um política em tornos de dois objetivos programáticos fixados por Marx em seu “Crítica ao Programa de Gotha”: a extinção da pequena propriedade e a superação da diferença entre o trabalho manual e o intelectual. 

A pequena propriedade individual reunida nos colcozes sempre foi propriedade individual, apesar de cooperativada. A universidade soviética sempre foi burguesa, mantidos os privilégios, hierarquias, vícios, práticas, estruturas e objetivos essenciais a uma universidade burguesa: subsidiar com conhecimentos o crescimento da sociedade... burguesa! Assim foi sendo cimentado o caminho que levou ao aparecimento dos traidores Gorbachev e Yeltsin.

Comemorações

Seria cômico se não fosse trágico assistirmos hoje a comemorações e comemorações simplesmente fraudulentas da Revolução Russa, comemorações por quem definitivamente não tem o direito de fazê-lo. Gente que defende e pratica hoje uma ação política em linha absolutamente contrária ao leninismo, em oposição aberta e de combate à linha revolucionária que levou o partido leninista ao poder no glorioso Novembro de 1917. 

Pergunta-se: contra quem lutaram os bolcheviques para tomar o poder? Responde-se: contra os mencheviques, reformistas portanto. Quem estava no poder e foi derrubado pelas armas bolcheviques? Resposta: os mencheviques, reformistas portanto. Quem chefiava o governo democrático reformista derrubado em novembro de 1917 pelos bolcheviques? Kerensky, socialista democrata e reformista. 

Ou seja, os inimigos políticos, concretos, dos bolcheviques eram os reformistas. Portanto: os reformistas não podem comemorar a revolução russa, bolchevique, sob pena de fraude. No Brasil, por exemplo, o PSOL e o PT não têm o direito político-moral de comemorar a Revolução Russa. Nem os trotskistas seguidores do menchevique Trotsky, que se juntou aos bolcheviques quando a revolução já estava praticamente ganha, tendo passado toda sua vida política até então a combater e sabotar o leninismo.

Sim, somos somente nós os marxistas e leninistas que temos o direito de comemorar estes gloriosos 100 Anos da Revolução Russa.

Viva Marx! Viva Lênin! Viva a Revolução Mundial!

Venceremos!" 

Dilma diz à DW que perdoa quem bateu panela...


Relatório confirma colaboração ativa da Volks com ditadura no Brasil

                                       

Fábrica da Volkswagen em São Paulo, em 1953
Em documento obtido por imprensa alemã, montadora é acusada de reprimir funcionários e cooperar voluntariamente com regime militar brasileiro. Relatório faz parte de inquérito do MPF contra a Volkswagen.

Um relatório da investigação realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) confirma que a montadora alemã Volkswagen colaborou de maneira sistemática e ativa com o regime militar no Brasil, noticiaram o jornal alemão Süddeutsche Zeitung e a emissora NDR nesta quarta-feira (15/11), após terem acesso ao documento de 406 páginas.

O relatório aponta que a filial brasileira da Volkswagen espionou os próprios funcionários, com interesse de descobrir opiniões políticas, e documentou a espionagem por escrito. Essa documentação era enviada ao Departamento de Ordem Política e Social (Dops).

"A Volks teve um papel ativo. A montadora não foi obrigada a isso. Eles fizeram parte porque queriam", conclui Guaracy Mingardi, perito que assina o relatório do MPF.

O documento é peça fundamental no inquérito contra a Volkswagen, aberto em setembro de 2015, após um pedido de vários sindicatos e da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

O relatório do MPF conclui ainda que o departamento de segurança da montadora permitiu a prisão de funcionários dentro de suas fábricas, mesmo sem mandados. Após a detenção, funcionários que eram considerados opositores ao regime foram torturados durante meses.

O documento acusa ainda a Volks de ter observado os funcionários antes das prisões. "É improvável que a Volkswagen não tenha participado ativamente dessas investigações", destaca o texto e acrescenta que o departamento de segurança da montadora teve um papel central na atividade repressora. Vários ex-soldados foram contratados pela empresa para trabalhar como seguranças.

O relatório aponta ainda que a Volkswagen teve um papel de liderança em encontros de empresas nacionais e internacionais que tinham uma lista negra de funcionários. Segundo o documento do MPF, logo após o golpe de 1964, a filial brasileira da Volks compartilhava da ideologia do regime e, a partir do fim da década de 1970, tinha interesses comerciais, ao desejar utilizar o "maquinário repressivo do Estado" para impedir greves.

O documento não aborda  quão profundo seria o conhecimento da sede da montadora, em Wolfsburg, na Alemanha, sobre as atividades da filial brasileira. Porém, uma análise extensa de documentações, realizada por um historiador contratado pela Volks, sugeriu que a sede tomou conhecimento destes atos – o mais tardar em 1979.

Volks em silêncio

Desde a divulgação de um relatório da CNV sobre a Volkswagen há quase três anos, a empresa não comentou as acusações e, em 2016, nomeou para uma investigação sobre seu passado o historiador Christopher Kopper, que concluiu seu trabalho, confirmando a existência de "uma colaboração regular" entre o departamento de segurança da filial brasileira e o órgão policial do regime militar.

Ao Süddeustche Zeitung, a montadora disse que marcou para meados de dezembro uma reunião com antigos funcionários afetados no Brasil.

O pedido de inquérito contra a Volkswagen foi feito após a conclusão da investigação realizada pela CNV, em dezembro de 2014. A montadora é acusada de violação dos direitos humanos dentro de suas fábricas em São Bernardo do Campo entre 1964 e 1985.

A comissão constatou que alguns galpões que a empresa tinha numa fábrica de São Bernardo do Campo foram cedidos aos militares, que os usaram como centros de detenção e tortura. Além disso, a CNV sustentou que encontrou provas que a multinacional alemã doou ao regime militar cerca de 200 veículos, depois usados pelos serviços de repressão.

(Com a Deutsche Welle)

Livro narra trajetória de Filinto Müller, torturador e chefe de polícia da ditadura Vargas


                                                                      
Jornal do Brasil

"O historiador americano R. S. Rose morou por mais de 20 anos no Brasil e é um especialista na história do país. Coube a ele traçar um perfil pouco óbvio de Filinto Müller, militar que foi figura de destaque em determinado período político do país, tendo sido presidente do Senado, líder de dois partidos e chefe de polícia do governo autoritário de Vargas, dentre outras funções. 

Para escrever O homem mais perigoso do país, que chega às livrarias em novembro pela Civilização Brasileira, o autor recorreu a uma pesquisa extensa, que incluiu mais de 66 mil documentos, 500 recortes de jornais e material impresso, além de 165 itens audiovisuais pertencentes ao acervo da Fundação Getúlio Vargas.

Filinto Müller serviu a quatro diferentes ditadores na história do Brasil, mandando torturar e matar suspeitos e adversários. Para entender sua trajetória, R. S. Rose conta a história de Müller desde seu nascimento, em Mato Grosso, em uma família de origem alemã, passando pela educação católica, até sua morte, em 1973, em um acidente aéreo no qual a esposa, Consuelo, e o neto Pedro também foram vítimas.

ORELHA (por Anita Leocádia Prestes):

“A obra de R. S. Rose nos ajuda a conhecer a trajetória de Filinto Müller: o oficial rebelde do Exército brasileiro – que na década de 1920 abandonou a luta, traindo seus companheiros –, facínora a serviço das duas ditaduras que infelicitaram nosso país

Durante a Era Vargas, o militar, fiel cumpridor dos desígnios do ditador, não vacilou no papel de carrasco. Torturou, assassinou e deportou presos políticos e cidadãos inocentes. Impossível esquecer a deportação de Olga Benário Prestes e de Elise Ewert para a Alemanha nazista, decidida por Vargas e executada por Filinto Müller, o qual jamais foi processado e punido.

Mais tarde, a partir do Golpe civil-militar de 1964, Müller colaborou com a ditadura prestando apoio incondicional ao anticomunismo e ao autoritarismo dos generais que governaram o país durante 21 anos. 

Ocupou cargos de destaque, foi presidente da Arena e do Senado, tornando-se peça importante no esquema de sustentação de todos os governos militares e, em especial, nos períodos de maior repressão, como o do governo do general Emílio G. Médici.

Vale a pena, portanto, ler a obra de R. S. Rose.”

TRECHO:

“Filinto Müller era conservador, nacionalista e imperturbável em seu apoio a duas ditaduras, em guerra com um adversário persistente, seu adversário, a chamada ameaça comunista.

Ele foi um representante da geração de tenentes que pensava que eles, e somente eles, sabiam o que era melhor para o país. Sua receita para um Brasil melhor não incluía o comunismo de Luiz Carlos Prestes, mas sim a ditadura dos militares ‘sabichões’. Müller serviu aos governos autoritários de Vargas, Castello Branco, Costa e Silva e Médici com entusiasmos diferentes – mas os serviu.”

R. S. Rose nasceu na Califórnia, nos Estados Unidos. Tem doutorado em sociologia na Universidade de Estocolmo, na Suécia. Viveu 22 anos no Brasil e já escreveu cinco livros sobre o país, entre eles “Johnny: A vida do espião que delatou a rebelião comunista de 1935”, em parceria com Gordon D. Scott, lançado pela Record. Foi professor visitante na Universidade do Estado do Rio de Janeiro."


Os dias de cárcere de Gramsci